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Como ver arte na escuridão total?

Nos dias 26, 27,28 e 29 de outubro de 2021, de 19h às 21h, com Leandro Muniz e Tarcísio Almeida

Tomando como ponto de partida os modos de operar do historiador da arte norte-americano Darby English (1974), buscamos discutir a experiência racial no campo artístico de modo crítico e propositivo, compreendendo que suas ferramentas de análise podem gerar um debate produtivo no contexto brasileiro.

English aborda a questão racial por uma defesa das singularidades entre obra e artista, evitando generalizações e questionando as reduções quase sempre inerentes aos campos da historiografia e da crítica sobre essas produções. Nesse sentido, além de ampliar e estabelecer nuances para o debate sobre racialidade na arte, a discussão sobre a formação, métodos e textos deste autor podem contribuir para uma reflexão consistente e rigorosa. Nos encontros, construiremos cruzamentos entre epistemes que tensionam as insuficiências do pensamento moderno ocidental na criação de parâmetros de avaliação sobre as práticas artísticas organizadas por modos de vida que não dialogam inteiramente com seus cânones, partindo de obras de artistas como André Ricardo, Véio, Bill Traylor, Madalena Reinbolt, entre outros. Ao questionarmos as formas de “narrativa estética”, que distinguem trabalhos de pessoas não brancas, classificando-as e desqualificando-as em relação aos modelos instituídos de arte, não apenas compreendemos as engenharias de poder e controle operadas pelo conhecimento, mas buscamos abrir espaços de liberdade em que podemos experimentar outras vias de narrar e produzir o mundo a partir da arte.

PROGRAMA DE AULAS

Aula 1 – 26/10/21 – Como ver arte no escuro: Introduções e contextos

Além de apresentar a dinâmica do curso e discutir a relevância de trazer Darby English para o contexto brasileiro, interrogando suas metodologias e propostas (que vão desde o uso de conceitos psicanalíticos, até uma densa discussão de contexto histórico,  sempre a partir de uma análise rigorosa dos elementos que constituem a obra), a primeira aula retoma um de seus livros fundamentais, “How to see a work of art in total darkness” (Como ver uma obra de arte na escuridão total), com título inspirado na obra “Concerto in Black and Blue” (Concerto em Preto e Azul), de David Hammons.

Aula 2 – 27/10/21 – Abstração e política

Um tema recorrente na pesquisa de Darby English são os trabalhos de artistas negros que não se prestam à figuração, como forma de escapar às políticas de representatividade, compreendendo a ação política ligada à lida com os elementos da liguagem visual. Além de apresentar e discutir essas produções, buscamos traçar paralelos com o contexto da pintura abstrata no Brasil no século XX e atualmente. No livro “1971: A Year in the Life of Color” (1971: Um ano na vida da cor), o autor discute exposições ocorridas naquele período nas quais artistas racializados lidavam com sua experiência por meio da abstração – algo que encontra seus devidos paralelos nas obras de André Ricardo, entre outros, no contexto brasileiro.

Aula 3 – 28/10/21 – Fugitividade e representação

Libertar a forma é um exercício cotidiano de libertar o corpo de gestos codificados e musculaturas adormecidas. Olhar para as formas ainda não nomeadas é um direito por compartilhar aquilo que socialmente ainda não é reconhecível e por outras formas de cognição. Madalena Reinbolt, Véio, entre tantos outros artistas não inclusos no cânone, encontram outras formas de figurar a vida, que nem sequer passam pela lógica moderna ocidental, ainda que indiretamente seja parte de suas dinâmicas de exclusão. Inoculados de maneira viral, esses aparelhos de controle constroem imagens, imaginários e domesticam as esferas expressivas do corpo. Nesse sentido, como experimentar a imaginação radical de novas políticas para si e para o mundo, como traçar rotas de descaptura frente aos simulacros, colocando como bússola ética um desejo encarnado de liberdade que fuja das expectativas dos sistemas de representação?

Aula 4 – 29/10/21 – Expectativa, frustração e impossibilidade

Uma tensão que perpassa toda a obra de Darby English é a expectativa gerada sobre corpos racializados e subalternizados, seja pelas diversas formas de exotização, ao longo do século XX, e das políticas que atravessam os debates em torno das identidades, neste início de século XXI. A crise diante da expectativa sobre artistas, curadores, críticos e pesquisadores racializados também está em pauta e em plena discussão no Brasil, gerando formas de produção e análise que simultaneamente desconstroem essas armadilhas e criam formas de pensamento, que não aquelas de parâmetros moderno-ocidentais. Nesse sentido, como pensar propostas de revisão de mundo, que remontam à própria construção do conhecimento desde a estética?

TOTAL DE VAGAS
180 vagas

VALOR
R$80,00 (inteira)
R$72,00 (amigos e patronos da Pina)
R$40,00 (meia-entrada para professores, estudantes e pessoas acima de 60 anos).

50 vagas para professores de escolas públicas e educadores sociais, por ordem de inscrição e através do formulário online disponível aqui. A gratuidade será concedida conforme a ordem de chegada dos pedidos feitos através do formulário “Solicitação de bolsas para professores e educadores sociais”.

Faça sua inscrição aqui

SERVIÇO

O curso será realizado em formato online via ZOOM. O link de acesso a sala online e demais informações para início do curso serão enviadas com e-mail de confirmação de inscrição.

O aluno deverá usar o mesmo e-mail cadastrado no ato da compra para acessar a sala online, do contrário não será possível realizar o cadastro e acesso à plataforma ZOOM e os recursos disponíveis para transmissão da aula. Eventuais troca de e-mail feitas após a compra deve ser comunicada a organização do curso até 2 dias antes do início do curso.

O curso é online, fornecido no formato síncrono, ou seja, ao vivo. As aulas serão gravadas e disponibilizadas para os alunos regularmente inscritos após a realização curso. A equipe Pina_Cursos compartilhará o link de acesso dos vídeos por e-mail e prazo de acesso.

A inscrição é pessoal e intransferível. Em caso de inscrição-presente, no momento da matrícula o pagante deve incluir os dados do(da) convidado(a) e informar a organização do curso sobre tal inscrição-presente, de modo a evitar possíveis equívocos de cadastro ou de compartilhamento dos conteúdos de estudo.

A utilização de meia entrada é concedida a: estudantes, professores, pessoas com 60 anos ou mais e funcionários de instituições culturais (limite de até 5 funcionários de uma mesma instituição).

Materiais complementares como, bibliografia do curso, PDFs, links de vídeos indicados pelo professor, serão compartilhados através de uma pasta virtual, gerenciada pelo professor e a coordenação do curso. O material ficará acessível por tempo limitado.

Pedidos de cancelamento ou transferência serão aceitos até a véspera de abertura do curso.

Pedidos de cancelamento ou transferência, enviados após início do curso, não serão considerados, visto a necessidade de organização das atividades.

A declaração de frequência será emitida após o término do curso. Os participantes que obtiverem 75% de presença durante o curso, ou seja, logados no momento da transmissão do curso. O acesso aos vídeos das aulas do curso não será considerado na contagem de frequência.

O curso poderá oferecer interprete/tradução em Libras e audiodescrição. Esses recursos de acessibilidade poderão ser solicitados por e-mail até 5 dias antes do início do curso.

Mais informações no site da Pinacoteca ou pelo e-mail cursos@pinacoteca.org.br

SOBRE OS PROFESSORES

Leandro Muniz (São Paulo, 1993) atua como artista e curador. Formado em artes plásticas pela USP, é assistente de curadoria no MASP. Foi repórter de artes visuais na revista seLecT entre 2019 e 2021 e já expôs em espaços e projetos como o Museu de Arte do Rio, Galeria Aura, DAP Londrina, Espaço das Artes USP, Sesc, Fábrica Bhering, Casa Alagada, Ateliê397, entre outros. Foi curador das mostras Pulso (Bica, 2021), Torrente (Galeria Karla Osório, 2020), Esquadros (Partilha, 2020), migalhas (Galeria O Quarto, 2019), Lampejo (Galeria Virgilio, 2019), Disfarce (Oficina Cultural Oswald de Andrade, 2017), entre outras. Seus textos podem ser encontrados em publicações e portais como Arte que Acontece, Relieve Contemporâneo, Terremoto e Revista Rosa. É indicado ao Prêmio Pipa 2021.

Tarcísio Almeida (Ipiaú, 1986) é pesquisador e professor, doutorando pelo Núcleo de Estudos da Cultura Contemporânea (ECCO – UFMT) e mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade (PUC – SP). Desenvolve projetos ligados às práticas artísticas contemporâneas, diálogos curatoriais e processos de aprendizagem coletiva, dedicando sua pesquisa a processos comprometidos com liberação, liberdades e justiças cognitivas desde as artes visuais. Entre seus movimentos mais recentes destacam-se as ações artístico-educacionais no acervo Zofir Brasil (Rio de Contas – BA, 2015 a 2017), a coordenação do programa de residências artísticas “Ver o invisível, dizer o indizível” no Valongo Festival Internacional da Imagem (2018) e a docência temporária (2019 e 2020) no Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), território em que desenvolve o programa de formação para jovens artistas Práticas Desobedientes e coordena o Fundo Elixir; em parceria com o projeto Áfricas nas Artes.