Logo da Pinacoteca

Apoie

Logo da Pinacoteca

A obra de Ernesto Neto envolve um constante imaginar outras possibilidades de estar no mundo, outros modos de convivência entre as pessoas e delas com o ambiente, a natureza, a espiritualidade. Neste sentido, suas instalações mais recentes têm sido concebidas para acolher celebrações coletivas em reverência à essas esferas a partir de saberes ancestrais.

A instalação inédita Cura Bra Cura Té, concebida por ele especialmente para o Octógono da Pinacoteca, faz referências às diversas culturas que moldaram o Brasil. Essa traz como elemento central uma peça de madeira de três metros de altura, semelhante à um tronco, instrumento oficial de tortura escravocrata, que simboliza uma escravocracia contemporânea camuflada que rege nossa estrutura econômica tanto no plano nacional e internacional.

Uma de suas extremidades tem como “raiz” um tapete com o mapa territorial do Brasil, rodeado de cores que aludem à mestiçagem nacional. O tronco, oco, foi preenchido por mercadorias presentes nos ciclos econômicos brasileiros ao longo da história (açúcar, café, ouro, soja). Suspensa sobre a outra extremidade do tronco, há uma “copa” de crochê em formato de gota carregada de folhas curativas provenientes de culturas indígenas e afro-brasileiras.

Ao longo do período expositivo, o artista propõe uma ativação da obra por meio de quatro ciclos que incluem um “banho”, momento no qual o tronco é envolvido pelo crochê gota floresta com seus lábios de folhas de cura simulando uma cópula trazendo a força feminina para curar cortar este falo tronco totem tabu em busca de equilibrar nossa energia espiritual e simbólica, a cada corte vai ser reduzido até não mais existir no fim da exposição

Este corte carrega uma intenção de cura individual, coletiva e histórica, ao fazer referência aos processos de violência e espoliação vividos no país hoje e sempre. Ela se vale primordialmente do reconhecimento e do respeito à sabedoria e espiritualidade dos povos tradicionais africanos e indígenas.

Todos estão convidados a participar.

Ciclo 1 | 13.04 – 11h às 16h
Tema: Ka bo íyá wa | Ha’i Miri’ī Kuery pe | Para cultuar nossas mães

As mães são aquelas que garantem a continuidade da humanidade, necessárias para fazer girar o ciclo da vida.  A transformação feminina do mundo garante um balanço social e ecológico. Propõe-se assim um encontro e rito com as nossas mães primordiais, de origem indígena e africana, a fim de ampliar a possibilidade da emergência de novas formas de interação com nosso corpo físico e social.

Programação:

11:00h – Meditação com Yemisi (30 min)
11:45h – Banho – movimento da obra (15 min)
12:00h – Fala sobre Alimentação + Almoço com Escola Brasileira de Ecogastronomia (1:30h)
13:30h – Fala sobre Luísa Mahin e Luiz Gama com Ligia Ferreira (30min)
14:00h – Cura com Jerá Guarani e Mãe Celina de Xangô (1h)
15:00h – Roda de conversa (1h)
16:00h – Finalização

Participantes:

Jerá Guarani
Professora e líder do povo Guarani Mbya, nascida na aldeia indígena Tenonde Porã, hoje vive na aldeia Kalipety. Localizada no extremo sul da cidade de São Paulo no bairro de Parelheiros. Se dedica ao trabalho de recuperação das espécies de sementes e alimentos do povo Guarani. Fundada em 2010, a Kalipety é uma aldeia preocupada em fortalecer a cultura indígena.

Mãe Celina de Xangô
Celina Rodrigues, mais conhecida como Mãe Celina de Xangô, é produtora de rádio e cultural. Gestora do Centro Cultural Pequena África, na Região Portuária do Rio de Janeiro e cofundadora da lavagem do Cais do Valongo. Está à frente do CCPA há 12 anos, com a missão de recontar e preservar as raízes ancestrais africanas.

Yemisi
Composta pela dupla Juliana Luna e Lígia Lima, tem como busca o aprofundamento de estudos ligados ao bem-estar bem como torna-lo acessível às pessoas negras. O projeto nasce de um forte desejo da dupla de compartilhar o conhecimento adquirido graças ao Yoga, ao Reiki e aos estudos da consciência – as quais elas se referem como “Tecnologias Ancestrais e Contemporâneas”.

Ligia Fonseca Ferreira
Docente do curso de graduação e do programa de pós-graduação da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo. Bacharel em Letras pela USP, possui doutorado pela Universidade de Paris 3 – Sorbonne, sobre a vida e a obra de Luiz Gama, e pós-doutorado no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), no campo da epistolografia franco-brasileira. Membro dos Grupos de Pesquisa ‘Diálogos Interculturais” e “Relações Culturais Brasil-França” do Instituto de Estudos Avançados da USP. É autora de Primeiras Trovas Burlescas de Luiz Gama e outros poemas (Martins Fontes, 2000), reunião da obra poética integral do autor, e Com a palavra Luiz Gama, que traz poemas, artigos, cartas e máximas (Imprensa Oficial, 2011, 2018).

EBÉ – Escola Brasileira de EcoGastronomia
Escola formada por Daniela Lisboa, especialista em Economia Solidária e Escolas de Alimentação Viva; Cassia Cazita, que tem em experiência em movimentos de ocupação cultural  e de rua e Fabiana Sanches, ligada à Articulação Agroecológica e militante do movimento Slow Food. O encontro resultou em projetos como o Convívio Slow Food ComoComo, a primeira grande Campanha de Combate ao Desperdício de Alimentos e o Festival Disco Xêpa 2014. A Ebé desenvolveu um cardápio especial — em parceria com agricultores locais, nutricionistas e chefs indígenas e de origem africana — para o almoço disponível aos participantes da ação. R$ 20 por pessoa.

Próximos ciclos:
04.05, 01.06, 29.06 e 13.07
Programação de cada ciclo será divulgada na semana anterior.

Pinacoteca de São Paulo
Praça da Luz, 2 – 11 3324 1000
faleconosco@pinacoteca.org.br