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ATIVIDADE ADIADA, em breve nova data.

 

Curso de História da Arte 2020

Arte e urbanidade: espaços, percursos e relações na cidade

O programa do primeiro semestre da Pinacoteca de São Paulo reúne diversas mostras e atividades sobre as produções artísticas no espaço urbano. Na Pina Luz, a retrospectiva d’OSGÊMEOS coloca a linguagem do grafite em evidência. Na Estação, a individual de Hudinilson Jr. apresenta uma poética que se deu entre derivas nas ruas e experimentos em multimeios. No Memorial da Resistência, histórias do movimento LGBTQI+ no Brasil são tema de uma mostra coletiva. Em todos os casos, de diferentes maneiras, estão contemplados modos de figurar na cidade, suscitando a crítica às normatizações e as possibilidades de reinventar o cotidiano.

No contexto dessas exposições, o curso de história da arte do primeiro semestre de 2020 pretende abordar aspectos da relação entre arte e urbanidade. Mais do que cercar a intervenção urbana como uma linguagem atribuída de cânones próprios, convém debater sobre o que motiva artistas a extrapolar os limites de galerias e museus e buscar a vocação pública de suas propostas. No decorrer de oito encontros, essa vocação pública será abordada por meio de estudos de caso de obras e eventos e discussões teóricas, que permeiam os campos da arte, da arquitetura e das ciências sociais.

Programação

sábados, 15h às 17h

Improvisações urbanas: as táticas profanatórias de espaços espetacularizados, com Paola Jacques Berenstein

Como podemos pensar em micro-resistências ou desvios críticos ao processo contemporâneo de espetacularização urbana? Esses processos que geram tanto a pacificação quanto a sacralização de espaços públicos nos projetos atuais da chamada regeneração urbana. Uma sugestão interessante proposta neste artigo é pensar nas improvisações como táticas urbanas de profanação em espaços públicos espetaculares, com foco nos usos, práticas e apropriações populares já existentes na cidade – em particular na opacidade, vitalidade e intensidade da vida pública nas áreas mais populares e informais das cidades. A partir de uma reflexão teórica que referendada na arquitetura e nas ciências sociais, o encontro constituirá uma base de pensamento para se refletir sobre práticas artísticas no espaço urbano.

Arte por uma cidade sensível, com Brígida Campbell

São várias as cidades dentro da cidade, com diferentes nuances, possibilidades e impossibilidades. Como habitantes, nos deparamos cotidianamente com a intensidade da convivência entre as inúmeras realidades sobrepostas. Por isso a cidade é o lugar privilegiado para a experiência coletiva. A cidade não existe sem troca, sem aproximações e sem proximidade: ela cria relações. As ruas não são apenas um lugar de passagem, são também o lugar do encontro. Seja em espaços previamente reservados a isso, como cafés, teatros, praças ou, simplesmente, em encontros fortuitos pelas ruas. O movimento, a mistura, são elementos fundamentais da vida urbana. Esta experiência muitas vezes retorna para as obras de arte como matéria poética que pode nos ajudar a nos relacionar com este espaço complexo, dinâmico e em permanente transformação que são as cidades. Neste encontro iremos discutir como os artistas se apropriam das dinâmicas urbanas em suas obras e como a arte pode ser uma importante ferramenta para re-poetizar o cotidiano, criando espaços de experimentação, crítica e reflexão.

OcupaPatrimônio: Arte, espaço público e outras memórias, com Giselle Beiguelman

Está apresentação discute projetos que invertem o lugar da arte no campo das políticas públicas de memória. Ao invés de ser seu objeto, a arte, nesses casos, pensa essas políticas, sugerindo um debate sobre a produção social das estéticas da memória e do esquecimento.

Arte na metrópole, com Sergio Miguel Franco

Esta aula apresenta as transformações da sociabilidade e dos valores artísticos em três metrópoles: Paris, Nova Iorque e São Paulo. Ela visa analisar as mudanças que são engendradoras de padrões estéticos, momentos em que estas cidades inauguram uma paisagem particular e adensam um padrão de convivência nos seus espaços públicos. Essa abordagem configura o entendimento de uma realidade histórica notável, como a Paris no final do século. XIX, tida como exemplo do auge do capitalismo para Walter Benjamin, e ainda, sede do Impressionismo que marcou a técnica de pintura de um tempo movediço.

Quilombos urbanos, Erica Malunguinho

Nesta aula será apresentado o conceito de quilombo urbano a partir da trajetória de Erica Malunguinho, arte educadora, militante, deputada estadual e fundadora da Aparelha Luzia. À história de resistência, tomada de empréstimo dos aparelhos políticos durante a ditadura militar brasileira, este espaço e a trajetória de seus integrantes agregam uma militância de raça e gênero. Existente desde 2016 no centro de São Paulo, a Aparelha Luzia é um reduto de criação e articulação das comunidades negras e LGBTQIA+ .

Intervenções urbanas: repertório e novos desafios, com Nelson Brissac Peixoto

Nas últimas décadas desenvolve-se, na esteira da land art e do pós-minimalismo, importante repertório estético de intervenções no espaço urbano e na paisagem. Quais são os princípios fundamentais que nortearam essas práticas e como eles evoluíram?

Recentemente, porém, esses fundamentos têm sido fortemente abalados pela acentuada deterioração das condições urbanas nas grandes cidades, com o aumento da precariedade social, a violência e o abandono dos espaços públicos. Artistas atestam que suas obras públicas são frequentemente vandalizadas. Projetos de arte urbana são cada vez mais raros. Qual é a condição da arte em espaços urbanos na metrópole do sec XXI? Quais são as estratégias que os artistas podem adotar diante dessa situação crítica?

Hudinilson Jr. nos espaços públicos do museu e da cidade, com Ana Maria Maia

No contexto da reabertura democrática brasileira após a ditadura civil-militar (1964-1985), Hudinilson Jr. participou de um movimento de artistas e coletivos que experimentaram uma gradual retomada da expressão crítica nos espaços públicos. Fez grafites, outdoors, derivas e intervenções urbanas, enquanto também concebeu laboratórios artísticos e didáticos em museus como a Pinacoteca de São Paulo. Esse encontro abordará aspectos dessa trajetória, tendo em vista a mostra Explícito, em cartaz na Estação Pinacoteca.

LÉSBICAS: extrapolando os limites dos corpos invisíveis e das normatizações, Marisa Fernandes

A aula abordará aspectos de uma persistente invisibilidade das lésbicas na sociedade e inclusive dentro da trajetória dos movimentos LGBTQIA+. Ativista desde os anos 1970, a convidada relatará sua vivência de algumas transformações na militância de gênero e sexualidade, que desde então luta em busca da recusa de esteriótipos e da constituição de uma memória pública dos feminismos das lésbicas em São Paulo.

 

Clique aqui e faça sua inscrição
R$ 400,00 (inteira), R$ 360,00 (amigos e patronos da Pina) e R$ 200,00 (meia-entrada)
Mais informações envie um email para cursos@pinacoteca.org.br
10 vagas gratuitas para professores de escolas públicas e 10 para educadores sociais, por ordem de inscrição e através do email cursos@pinacoteca.org.br
A declaração será emitida apenas para aqueles que tiverem no mínimo 75% de presença durante o curso.

 

Biografias

Paola Berenstein Jacques é professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAUFBA), pesquisadora CNPq e coordenadora do grupo de pesquisa Laboratório Urbano (PPG AU/ UFBA). É autora dos livros ‘Les favelas de Rio’ (Paris, l’Harmattan, 2001); ‘Estética da Ginga’ (Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2001); ‘Esthétique des favelas’ (Paris, l’Harmattan, 2003) e ‘Elogio aos errantes’ (Salvador, Edufba, 2012). É co-autora de ‘Maré, vida na favela’ (Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2002) e organizou os livros ‘Apologia da deriva’ (Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2003), ‘Corps et décors urbains’ (Paris, l’Harmattan, 2006), ‘Corpos e cenários urbanos’ (Salvador, Edufba, 2006), ‘Corpocidade: debates, ações e articulações’ (Salvador, Edufba, 2010), ‘Corpocidade: gestos urbanos’ (Salvador, Edufba, 2017) e a coleção ‘Experiências Metodológicas para compreensão da complexidade da cidade contemporânea'(Salvador, Edufba, 2015).

Brígida Campbell é artista e professora do curso de Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFMG. É doutora em Artes Visuais pela ECA USP e mestre pela EBA UFMG. É colaboradora do EXA – Espaço Experimental de Arte, em Belo Horizonte. Pesquisadora das relações entre Arte e Cidade. Em 2015 publicou o livro “Arte para uma cidade sensível”, resultado da “Bolsa de Estímulo à Produção em Artes Visuais da Funarte” e “Exercício para a Liberdade”. Em 2010 publicou o Livro “Intervalo Respiro Pequenos Deslocamentos – ações poéticas do Poro” – premiado no Prêmio Publicações de Arte Contemporânea em em Língua Estrangeira” – da Fundação Bienal de São Paulo e Ministério da Cultura. Como artista já participou de várias exposições no Brasil e no exterior. Foi curadora dos projetos “Muros – Territórios Compartilhados” e da exposição “Arte para uma cidade sensível” no Museu Mineiro, em BH e Centro Cultural TCU, em Brasília. É organizadora da SEMANÁRIA – Semana de Arte Gráficas – evento anual da EBA-UFMG. Coordena o grupo de estudos em arte e espacialidade – Imaginação Comum, em residência no Centro Cultural da UFMG.

Giselle Beiguelman é artista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Pesquisa arte e ativismo na cidade em rede e as estéticas da memória no século 21. É autora de Memória da amnésia: políticas do esquecimento (2019), entre outos. Suas obras artísticas integram acervos de museus no Brasil e no exterior, como ZKM (Alemanha), Jewish Museum Berlin, MAC-USP e Pinacoteca de São Paulo. Recebeu prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio ABCA 2016 (Associação Brasileira dos Críticos de Arte), categoria Destaque, e integrou o grupo de 10 artistas convidados pelo The Webby Awards para participar da exposição comemorativa dos 25 anos da WWW (The Web at 25). É colunista da Rádio USP e da Revista Zum. Site pessoal: desvirtual.com.

Sérgio Franco é um sociólogo com perfil multidisciplinar, atuando na área das Artes Visuais das metrópoles. Desenvolveu o doutorado em sociologia pela FFLCH – USP com a orientação de Sérgio Miceli Pessoa de Barros.  Realizou a curadoria da exposição “São Paulo, Mon Amour” em Paris que foi um dos desdobramentos do seu mestrado na FAU – USP intitulado “Iconografias da Metrópole – grafiteiros e pixadores representando o contemporâneo”. Realizou o projeto “Dilemas Periféricos, Questões Centrais”, promovendo o intercâmbio entre os rappers Mano Brown e Ice Blue com grupos de artistas periféricos em Paris e Marseille. Vinculado à programação oficial do Ano da França no Brasil, realizou a curadoria do projeto “Intercâmbio de Culturas Urbanas”, que se passou em São Paulo, Recife e Fortaleza, reunindo artistas do vídeo, do graffiti e da música. Foi consultor Unesco no Departamento de Cultura Imaterial (DPI) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2012 foi co-curador da pixação na 7ª Bienal de Berlim. Neste mesmo ano ganhou o 3º Prêmio Conexões Artes Visuais da Funarte/Minc/Petrobras, o qual financiou o Seminário Derivas e Memórias Contemporâneas na Pixação realizado na Universidade Federal da Bahia em Salvador. Tal evento reuniu pesquisadores e pixadores de Belo Horizonte, São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro. Nos anos de 2014 e 2015 ministrou palestras sobre curadoria independente no Sesc São Paulo, nas unidades Vila Mariana e Pompéia .

Erica Malunguinho é artista plástica, educadora e a primeira deputada estadual transexual da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Formada em pedagogia e mestra em estética e história da arte pela Universidade de São Paulo (USP), Malunguinho é criadora da Aparelha Luzia, um espaço preparado ao apoio  à produções artísticas e intelectuais na capital paulista.

Nelson Brissac é filósofo, trabalhando com questões relativas à arte e ao urbanismo. Doutor em Filosofia pela Universidade de Paris I – Sorbonne, é professor do curso de pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, da PUC-SP. Organizou Arte/Cidade, um projeto de intervenções urbanas em São Paulo, a partir de 1994. Publicou: Arte/Cidade – Intervenções Urbanas, Ed. Senac, 2002; Paisagens Críticas – Robert Smithson: arte, ciência e indústria, Ed. Senac / Educ, 2010; e Arte/Cidade Zona Leste, Ed Dardo, Espanha, 2011. Atualmente desenvolve o projeto ZL Vórtice, na zona leste de São Paulo.

Ana Maria Maia  é pesquisadora, curadora e professora de arte contemporânea. Tem doutorado em história e crítica de arte pela ECA-USP. É autora dos livros Flávio de Carvalho (Azougue, 2014) e Arte-veículo: intervenções na mídia de massa brasileira (Circuito e Aplicação, 2015), sendo este último vencedor da Bolsa Funarte de Estímulo à Produção Artística. Em 2018, realizou as mostras A Marquise, o MAM e nós no meio (MAM São Paulo) e Arte-veículo (Sesc Pompeia, São Paulo). Em 2019, passou a integrar a equipe de curadoria da Pinacoteca de São Paulo.

Marisa Fernandes é mestre em História Social pela USP. Integrou o Grupo SOMOS de Afirmação Homossexual. Em 1979 foi cofundadora do Grupo LF – Lésbico Feminista (1979), bem como do GALF – Grupo de Ação Lésbica Feminista (1980/1989). Em 1990 passa a integrar o CFL – Coletivo de Feministas Lésbicas. Desde 1975 é ativista na defesa dos Direitos Humanos.