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Curso de História da Arte 2018 – VAGAS ESGOTADAS

Curso de História da Arte Na Pina
Outros mundos possíveis: a abstração e seus contextos

Em paralelo à exposição Hilma af Klint: mundos possíveis, o curso discutirá os diversos caminhos do abstracionismo no ocidente. As aulas explorarão conceitos e preocupações comuns aos artistas abstratos, como política e espiritualidade, passeando pelas produções de criadores vinculados às chamadas vanguardas europeias e também artistas do movimento concretista brasileiro.

PROGRAMAÇÃO

Sábados, de 24 de março a 9 de junho, 15h às 17h

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Hilma af Klint e os mundos possíveis – Palestra com Daniel Birnbaum*

Daniel Birnbaum é diretor do Moderna Museet de Estocolmo desde 2010. Entre os anos 2000 e 2010 foi reitor da Städelschule em Frankfurt e diretor da Kunsthalle Portikus, na mesma cidade. Em 2009 foi o diretor da Bienal de Veneza e realizou a curadoria de uma série de grandes exposições, incluindo Airs de Paris, no Centre Pompidou, em Paris (em colaboração com Christine Macel) em 2007. Atualmente também colabora como editor para a revista Artforum, em Nova York. *Palestra em inglês com tradução simultânea. Aberta a todos os interessados, este evento não é parte integrante do curso, a participação está sujeita à disponibilidade de assentos. Total 130 vagas a serem preenchidas por ordem de chegada.

24_03 – Aula 1

A biografia de Hilma af Klint, a vida além da obra, com Luciana de Andrade Pinheiro Ventre
Com o crescimento da visibilidade do trabalho de Hilma af Klint, cresce também o material disponível na internet, seja ele de fontes confiáveis ou mera especulação. Entretanto, a vida desta artista não deveria estar restrita apenas ao produto da obra; a biografia e o desenvolvimento de seu processo criativo envolvem temas da ordem da ciência espiritual, da alquimia, da geometria, além da visão histórica, com toda complexidade que a virada do século IX para XX trouxe para o mundo. Hilma af Klint atravessou as duas grandes guerras e testemunhou revoluções na arte e na ciência. Quando morreu, em 1944, deixou em seu testamento o pedido de que sua obra só fosse revelada vinte anos após sua morte. Setenta e cinco anos depois, o público brasileiro terá a chance de conhecer a obra desta artista sueca, uma das pioneiras do abstracionismo, cujo legado entrou tardiamente na história da arte. Onde procurar a resposta para esta decisão tão inusitada de esperar por novas gerações e para uma consciência futura para a apreciação de obras de arte? Como entender as razões que levaram Hilma af Klint a viver uma vida tão isolada e tão prolífica?

07_04 – Aula 2
Kandinsky: abstração expressiva, com Sheila Cabo Geraldo
No período anterior à primeira grande guerra, Kandinsky foi o artista que desenvolveu a chamada “pintura abstrata” na Alemanha, o que o coloca em uma posição especial, uma vez que suas premissas abstratas estão associadas à expressão do espiritual na arte. Já durante sua participação no grupo Phalanx (1901-1904), se aproximara do Jugendstil, que apontava para noção de não-imagem, para a arte como abstração, ou para o puro sentimento, emoção e expressão. O artista desenvolve, assim, “um conceito expressionista de pensar”, que corresponderia à “teoria da redução fenomenológica” , de Husserl, quando a perda da realidade experimentada se transforma em “renúncia metódica”. Suas pinturas passam a corresponder a uma afirmação inaugural do sentido da existência, como um processo de deslocamento de imagens de um contexto real, ou mitológico, ou mesmo de um tempo espiritual (medieval), para fazê-las reverberação de uma memória. Esse foi, em essência, o processo de abstração expressiva de Kandinsky, ou como ele disse, que o levou à arte “real”.

21_04 – Aula 3
Estética e revolução social: a abstração nas vanguardas russas, com Taisa Palhares
Antes mesmo dos eventos políticos de fevereiro de 1917, outra revolução já tinha sido colocada em curso por artistas na década de 1910 na Rússia. Os russos foram responsáveis por criar dois dos movimentos mais marcantes da história da arte moderna: o Suprematismo e o Construtivismo. O primeiro, concebido por Kasimir Malevitch (1878-1935) buscava libertar a arte do peso da representação tradicional por meio de composições restritas a formas geométricas puras. Se inicialmente ele negava que a arte devesse responder a objetivos sociais, logo após a Revolução de Outubro adere entusiasmado ao novo regime e se torna diretor da escola de arte de Vitebsk. Enquanto dura o apoio do Estado à arte de vanguarda experimental, os suprematistas terão uma função importante para a divulgação da nova arte soviética como essencialmente não-figurativa. No caso do Construtivismo, desde sua invenção em 1915, defende-se que a radicalidade estética acompanha profundas transformações sociais. Neste sentido, Vladimir Tatlin (1885-1953) será um dos maiores críticos do conceito da “arte pela arte”, advogando que a concepção de uma arte renovada, também essencialmente não-figurativa, deveria ter papel ativo na construção do socialismo. Nossa aula busca investigar como se dá as relações entre arte abstrata e revolução social a partir do estudo desses dois movimentos.

05_05 – Aula 4
Abstração – uma questão teórica, com Sônia Salzstein
A apresentação propõe o exame do notável aporte teórico e filosófico que a questão da abstração passa a assinalar para a arte desde o início do século XX. De fato, a busca de um vocabulário “universal”, a crítica do “individualismo burguês”, a recusa do que se via como a conversão do objeto artístico ao signo de um privilégio de classe e a consequente aspiração a uma dimensão suprapessoal da arte – já vinham conduzindo ao caminho da abstração as correntes simbolistas e anti-naturalistas europeias desde as últimas décadas do século XIX. Estas, logo mais desaguariam, como se sabe, na pintura fauve e no expressionismo alemão, movimentos nos quais o que está em jogo é sobretudo o gesto, a ação, e não o télos da Obra. A aula discute, dessa maneira, a dimensão autorreflexiva que a questão da abstração descortinava para a arte, sobretudo às práticas artísticas mais experimentais do início do século XX: a experiência estética passava a ter precedência sobre o objeto artístico dela resultante, e o que doravante contava era o processo, a práxis, o fazer, mais do que a culminação do Belo. Do mesmo modo, o problema crucial da arte deixa de estar posto na noção de contemplação, para se introduzir na dimensão dos afetos.

19_05 – Aula 5
Para uma revisão da recepção da abstração no Brasil. Artistas abstratos estrangeiros em exposição, 1930-50, com Ana Magalhães
Na última década, alguns estudos levaram a novas descobertas e apontamentos sobre a presença de experiências de abstração entre nós. Eles colocam em xeque o papel privilegiado dado ao advento da Bienal de São Paulo e a emergência dos movimentos concretistas, na década de 1950, na emergência da abstração entre nós, e revelam uma relação bem mais complexa entre artistas brasileiros e estrangeiros nesse contexto. Pretendemos aqui abordar os artistas estrangeiros que estiveram presentes em exposições em São Paulo, entre os anos 1930 e o início dos anos 1950, e quais frentes de abstração eles trouxeram para cá. Procuraremos ainda analisar como não há uma linearidade na narrativa da abstração, nem aqui, nem fora do país.

26_05 – Aula 6
Pas très brut: abstração na arte dos pacientes psiquiátricos modernos, com Kaira Cabañas
A aula aborda como a arte dos pacientes psiquiátricos foi colocada ao serviço do discurso da arte moderna, revelando as descontinuidades das estratégias artísticas e expositivas entre o Brasil e a França. A aula analisa a forma como a arte moderna no Brasil se desenvolveu em diálogo com o trabalho criativo de pacientes psiquiátricos, colocando essa história dentro de uma perspectiva internacional, em relação ao conceito e à busca pela art brut do artista francês Jean Dubuffet. Discutiremos como a arte dos pacientes foi colocada ao serviço do discurso da arte moderna, revelando as descontinuidades das estratégias artísticas e expositivas entre o Brasil e a França, relevantes para repensar o recente retorno ao art brut (ou seja, a outsider art) no contexto da arte contemporânea.

09_06 – Aula 7
Arte concreta no Brasil: outras fontes de pesquisa, com Heloisa Espada
A aula apresentará as conexões de Waldemar Cordeiro e de Kazmer Féjer, membros do grupo Ruptura, com movimentos abstracionistas que emergiram no contexto dos Art Clubs Internacionais, em diversas capitais europeias, no segundo pós-guerra. O objetivo é repensar as fontes da arte concreta paulista ao abordar seus vínculos com uma gama mais ampla e heterogênea de movimentos abstracionistas europeus, para além da arte concreta suíça.

23_06 – Aula 8
Da arte de existir: como povoar o mundo de almas, com Peter Pal Pelbart
A aula tratará de dimensões próximas da alucinação. Debateremos o que delas permanece naquilo que consideramos processo criativo.

VALORES — inscrições esgotadas
R$ 450,00 (inteira) ou 3 parcelas de R$150,00
R$ 405,00 (Amigos e Patronos da Pinacoteca)
R$ 225,00 (meia-entrada) – valor aplicado para professores, estudantes e idosos. Para conseguir o desconto, inserir na tela de pagamento o código de desconto: ESTUDANTE, PROFESSOR ou IDOSO.

10 vagas gratuitas para professores de escolas públicas e 10 para educadores sociais, por ordem de inscrição. — inscrições esgotadas

O certificado será emitido apenas para aqueles que tiverem no mínimo 75% de presença durante o curso.

O curso contará com Intérprete de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais).

 

SOBRE OS PALESTRANTES:
Ana Magalhães é historiadora da arte, curadora e professora livre-docente do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), desde 2008. Entre abril e junho de 2016, foi pesquisadora convidada do Getty Research Institute em Los Angeles, Califórnia, aonde desenvolveu a pesquisa em torno da história material do gesso Formas únicas da continuidade no espaco de Umberto Boccioni (1913, acervo MAC USP). Atuou como coordenadora editorial da Fundação Bienal de São Paulo entre 2001 e 2008. É membro do Comitê Brasileiro de História da Arte (CBHA).

Heloisa Espada é curadora do Instituto Moreira Salles e doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Autora dos livros Hércules Barsotti (Edições Folha, 2013), Geraldo de Barros e a fotografia (Org.) (Instituto Moreira Salles, 2014) e Monumentalidade e sombra: o centro cívico de Brasília por Marcel Gautherot (Annablume, 2016).

Kaira Marie Cabañas é professora em História da Arte na Universidade da Flórida, em Gainesville. Autora do livro The Myth of Nouveau Réalisme: Art and the Performative in Postwar France (Yale University Press, 2013). Foi curadora convidada da exibição Espectros de Artaud: Linguagem e as Artes nos anos 50, no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri (2012). Possui bacharelado em Estudos Comparados pela Duke University (1995), mestrado em História da Arte pela Yale University (2000), e doutorado em História da Arte pela Princeton University (2007). Seu próximo livro Learning from Madness: Brazilian Modernism and Global Contemporary Art vai ser lançado em outubro pela University of Chicago Press. Cabañas também escreve para a revista Artforum.

Luciana de Andrade Pinheiro Ventre é artista plástica, terapeuta biográfica e arte educadora. Cursou artes plásticas na Fundação Escola Guignard – MG e ampliou sua formação especializando -se na técnica encáustica, expondo no Brasil e no exterior. Como terapeuta biográfica e pesquisadora, aprofundou-se na biografia do escritor alemão Goethe e na sua “Teoria das Cores”. Estuda e trabalha com pintura meditativa e como terapeuta em processos de desenvolvimento pessoal há mais de 25 anos. É docente em formações nas áreas da pedagogia, saúde e educação. Após dez anos de pesquisa, publica em 2018 o primeiro livro em língua portuguesa sobre a vida e a obra de Hilma af Klint.

Peter Pál Pelbart é professor titular de filosofia na Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP). Escreveu principalmente sobre loucura, tempo, subjetividade e biopolítica. Publicou O Tempo não-reconciliado (Perspectiva), Vida Capital (Iluminuras) e mais recentemente, O avesso do niilismo: cartografias do esgotamento (n-1 edições), entre outros. Traduziu várias obras de Gilles Deleuze. É membro da Cia Teatral Ueinzz, e coeditor da n-1 edições.

Sheila Cabo Geraldo é professora de História e Teoria da Arte na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Tem como linha de investigação a narrativa histórica da arte na cultura moderna e contemporânea brasileira. Defendeu tese de doutorado em História, em 2001, na Universidade Federal Fluminense, com o título Arte e Modernidade Germânica, tendo sido bolsista DAAD em Berlim, onde pesquisou a relação entre a arte moderna alemã, a escrita da história e a teoria em arte na Alemanha do início do século XX.

Sônia Salzstein é professora-titular de História da Arte e Teoria da Arte junto ao Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA USP) e Coordenadora do Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da ECA-USP. Em 1989 criou, no Centro Cultural São Paulo, projeto voltado à arte contemporânea, com exposições, cursos e workshops, iniciativa que se tornaria referência para jovens artistas no país. Entre os anos 1980 e 1990 trabalhou em instituições públicas de arte, como a Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea da USP e a Fundação Bienal de São Paulo, tendo igualmente integrado os Conselhos de administração da Fundação Iberê Camargo, do Instituto de Arte Contemporânea e do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Foi curadora de diversas mostras, entre elas, as de Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Antonio Dias, Iole de Freitas e Mira Schendel. Tem inúmeras obras publicadas sobre arte moderna e contemporânea, sobretudo brasileira. Coordenou, junto à Editora Cosac Naify, a Coleção Outros Critérios, dedicada principalmente à arte moderna e contemporânea, tendo organizado, entre outras antologias, a obra Diálogos com Iberê Camargo (2004), Modernismos, reunindo ensaios de T.J. Clark (2006), Outros critérios, de Leo Steinberg (2008) e Matisse/Imaginação, erotismo e visão decorativa (2009).

Taisa Palhares é professora de Estética no Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/Unicamp) desde 2015. Possui mestrado e doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Crítica de arte e curadora, trabalhou na Pinacoteca de São Paulo por mais de dez anos, onde foi responsável pelo projeto de exposição retrospectiva Mira Schendel (2013/2014), em parceria com a Tate Modern, além de outras mostras retrospectivas como a dos artistas Paulo Monteiro e Nelson Felix. É autora do livro Aura: a crise da arte em Walter Benjamin (2006). Organizou o livro Arte brasileira na Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo: Cosac Naify, Imprensa Oficial, 2010), ganhador do Prêmio Jabuti (2011). Realizou a curadoria da exposição “Rodrigo Andrade. Pintura e Matéria (1983-2014)“, em cartaz na Pina_Estação até 12/03/2018. Recentemente publicou parte de seu doutorado na revista Peixe-Elétrico #07 (novembro/dezembro 2017), com o ensaio “Guignard: a constituição do olhar moderno a partir da tradição europeia” (https://www.peixe-eletrico.com)