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A Viagem das Carrancas

01 ago 2015
18 out 2015

Em 1946, o fotógrafo Marcel Gautherot, em parceria com Pierre Verger, percorreu o litoral e o interior da Bahia e registrou as carrancas ainda encontradas nas barcas do Rio São Francisco. As fotos, publicadas nas revistas O Cruzeiro (1947), Sombra (1951) e Módulo (1955) e no livro Brésil (1950), chamaram a atenção do público e dos pesquisadores. Agora parte dessas carrancas e a série fotográfica de Gautherot chegam à Pinacoteca do Estado de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em uma exposição inédita assinada pelo curador Lorenzo Mammì.

A Viagem das Carrancas, que começa dia 1º de agosto, apresenta ao público 41 carrancas de coleções públicas e particulares e 42 fotografias pertencentes ao Instituto Moreira Salles, além de pequenas esculturas, um modelo de barco e documentos diversos. Entre os destaques desta mostra está a figura de proa da lendária barca Minas Gerais, a maior embarcação que já navegou o São Francisco, esculpida por Afrânio – o primeiro escultor de carrancas conhecido ainda no fim do século XIX.

“Desde o início, as carrancas eram conhecidas pelos traços grotescos, que se tornaram uma característica recorrente do gênero. No entanto, muitas das mais antigas são bastante realistas. É o caso de uma série de cabeças de leão, de contornos quase clássicos, e da maioria dos cavalinhos, usados geralmente em embarcações menores. Todas expostas na Pinacoteca”, explica Mammì. Também faz parte desta exposição a figura esculpida na barca Americana por Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany (1882-1985), o escultor de carrancas mais conhecido e respeitado do país. Ele começou a entalhar carrancas em 1905 e essa foi a terceira da sua carreira, finalizada em 1907.

Outras seis carrancas não navegadas esculpidas por Guarany compõem a exposição. Elas pertencem à primeira fase de sua produção para colecionadores, entre as décadas de 1950 e 1960. “Principalmente por sua qualidade estética e por não haver nada parecido em outros lugares do mundo, a descoberta das carrancas inaugurou uma nova fase na avaliação e até na criação de arte popular no Brasil. Abordar hoje esse assunto nos cobra o desenvolvimento de novos instrumentos críticos para a avaliação desse tipo de produção”, completa o curador.

Um livro editado pelo Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, Editora Martins Fontes e Instituto Moreira Salles, amplamente ilustrado com imagens das carrancas e com a série fotográfica de Marcel Gautherot, além de registros de Hans Gunter Flieg, Pierre Verger e do pesquisador Paulo Pardal, será vendido a partir do dia 1º de agosto na loja da Pinacoteca e nas livrarias parceiras. O material inclui ainda ensaios de Lorenzo Mammì e Samuel Titan Jr. A Viagem de Carrancas, realização do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro e correalização do Instituto Moreira Salles e da Pinacoteca de São Paulo, tem patrocínio da Sabesp, DesenvolveSP e CCR, e ficará em cartaz no primeiro andar da Pinacoteca de 1º de agosto a 18 de outubro com visitação gratuita.

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