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Besphoto 2011

20 ago 2011
23 out 2011

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta, na Estação Pinacoteca, a exposição Besphoto 2011 com 100 fotografias, (cor e pb), de Carlos Lobo (Portugal, 1974), Kiluanji Kia Henda (Angola, 1979), Manuela Marques (Portugal, 1959), Mário Macilau (Moçambique, Maputo, 1984) e Mauro Restife (Brasil, 1970), todas realizadas nos anos 2000. Os cinco artistas apresentados integram a 7ª edição do prêmio Besphoto que aconteceu de março a junho de 2010 no Museu Coleccção Berardo (Portugal). O juri de seleção foi composto por Ivo Mesquita, curador chefe da Pinacoteca do Estado; Delfim Sardo, curador, crítico de arte e professor (Portugal) e Bisi Silva, curadora e fundadora/directora do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, CCA Lagos (Nigéria). Já júri de premiação, composto por: Agustín Pérez Rúbio, Historiador, Crítico de Arte, Curador e Director do MUSAC; Awam Amkpa Director e Professor de estudos africanos e artes performativas na Tish Scholl of Arts, NY University, em Nova Iorque; Director académico da NY University no Gana, realizador e curador de exposições; e Jean-Hubert Martin, Curador e Director do FRAME France – The French & American Museum Exchang, teve a tarefa de escolher a vencedora Manuela Marques.



Na opinião do Júri, a escolha de Manuela Marques “resulta da forma como a artista concilia tempo e sequência – dois ingredientes chave da arte fotográfica – usados com uma habilidade inovadora, uma técnica detalhada e uma subtileza e criatividade notáveis. As fotografias e o vídeo apresentados conferem uma expressão integrada no envolvimento do aspecto performativo do tempo e a sua dinâmica oscilante entre nostalgia e projeção do futuro”. Na exposição o público poderá conferir cerca de 20 imagens de Manuela que registram cenas íntimas da cidade de São Paulo, detalhes de homens e mulheres. “A maior parte das fotografias foram realizadas em locais relativamente perigosos: zonas de tráfico, de consumo de crack, locais degradados por toda uma precariedade e uma miséria que geram situações de conflito. Coloquei-me em posição de observação, ainda que no final o relato visual indique muito pouco do que foi observado”, comenta Manuela



O brasileiro Mauro Restife apresenta 28 trabalhos, entre eles a série Tlatelolco, realizada em 2010 em Cidade do México (Plaza Tlatelolco), conhecida por apresentar conjuntos arquitetônicos construídos durante três períodos históricos distintos (pré-hispânico, hispânico e México moderno). As fotografias de Mauro Restife são produzidas sem qualquer maninuplação ou iluminação artificial, resultando em imagens granuladas e com uma ampla escala de cinzas. A perspectiva é sempre documental e sua obra apresenta alguns temas recorrentes, como as paisagens e a arquitetura urbana.



Já Carlos Lobo fez imagens das ruas e dos prédio de Beirute (Líbano). São 20 imagens que, segundo o juri de seleção, “resultou da precisão da sua abordagem à fotografia de paisagem urbana tendo como referência as exposições The sonic booms, 2009, e Far Far East, 2010. “O meu trabalho não é um trabalho de investigação, no sentido mais comum: é um trabalho de exploração e de apropriação… meu trabalho é uma exploração visual de uma cidade quem tem um história muito complexa, e um passado repleto de conflitos e de várias guerras civis”. Afirma Carlos Lobo.

O Continente africano é representado, na mostra, por Kiluanji Kia Henda (Angola) e Mário Macilau (Moçambique). Henda registrou o trabalho desenvolvido em torno da condição pós-colonial do seu país. São imagens de Luanda, Bongo e Namibe. “A minha intenção foi a de abordar questões variadas como a nuclear, do petróleo, dos diamantes, da negritude, da toxicodependendia ”, afirma Henda. 



Mario Marcilau, por sua vez, traz um panorama social e cultural de Moçambique e da linha tênue que situa o seu trabalho entre a ficção e o documentário. “Quero falar do meu povo, dos que não tem voz, daqueles cujas vozes são esquecidas”. Entre as séries apresentadas na exposição estão Os maziones , membros de uma religião que evocam o Espirito Santo para a cura de doenças, e também são responsáveis por diversas cerimonias como o batismo; e Wood Work, composta por imagens feitas em Makoko (Nigéria). “Neste país com petroleo, a compra de uma parcela de terra pode custar milhões de dolares. Assim, muits pessoas sem casa criaram um bairro dentro do mar constituído por barracas de madeira sobre palafitas”.



SOBRE O BESphoto



Criado em 2004 por meio de uma parceria entre o Banco Espírito Santo e o Museu Colecção Berardo, de Lisboa, o Besphoto surgiu com o objetivo de destacar talentos entre artistas que utilizam a fotografia como instrumento. O prêmio, até a 6ª edição era válido para participantes portugueses ou residentes em Portugal, porém na sua 7ª edição, 2011, ganhou status internacional, incluindo também artistas de nacionalidade brasileira e de países africanos de língua oficial portuguesa (PALOPS). 



Portugal, Nigéria e Brasil foram representados, no corpo de jurados de seleção desta última edição, por Delfim Sardo (Curador, Crítico de Arte e Professor), Bisi Silva (Curadora e Fundadora/Diretora do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, CCA Lagos) e Ivo Mesquita (Curador Chefe da Pinacoteca do Estado de São Paulo), respectivamente. A difícil tarefa de escolher o vencedor coube, entretanto, ao júri de premiação, de composição internacional, composto por Agustín Pérez Rúbio (historiador, Crítico de Arte, Curador e Director do MUSAC – Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León – Espanha), Awam Amkpa (Director e Professor de estudos africanos e artes performativas na Tish Scholl of Arts, NY University, em Nova Iorque, Director académico da NY University no Gana, realizador e curador de exposições) e Jean-Hubert Martin (Curador e Director do FRAME – The French & American Museum Exchange – France). 



Nas outras edições, os grandes ganhadores de Portugal foram Helena Almeida vencedora da 1ª edição, em 2004, José Luís Neto venceu em 2005, Daniel Blaufuks em 2006, Miguel Soares em 2007, Edgar Martins em 2008, Filipa César, em 2009, e agora Manuela Marques. Segundo o corpo de jurados a escolha da fotógrafa portuguesa resulta da forma como a artista concilia tempo e sequência – dois ingredientes chave da arte fotográfica – usados com uma habilidade inovadora, uma técnica detalhada e uma sutileza e criatividade notáveis.