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Buena Memoria

23 out 2010
06 mar 2011

O Memorial da Resistência de São Paulo apresenta a exposição Buena Memoria, um ensaio fotográfico de Marcelo Brodsky, com cerca de 70 fotografias e dois vídeos, Ponte da Memoria e Brincando de morrer, realizadas a partir de 1960, com imagens que pertencem ao acervo da família Brodsky. (fotos de infância). São fotos de sua família e amigos, de sua infância e do Parque da Memória, local construído para lembrar as pessoas seqüestradas e desaparecidas durante a ditadura militar argentina. A mostra traz ao público um recorte da história que é comum a diversos países da America Latina, que conheceram de perto o terrorismo de Estado nos anos 1960 a 1980, deixando como saldo de presos, torturados, mortos e desaparecidos.

Marcelo Brodsky tornou-se fotógrafo durante seu exílio em Barcelona, na década de 1980. Ao regressar à Argentina nos anos 1990, começou a revisar fotos de familiares e de colegas de sua juventude. Foi quando encontrou um retrato da sua classe do primeiro colegial, tirada em 1967, e sentiu a necessidade de saber o que aconteceu com cada um. “Depois de 25 anos reencontrei meus colegas de classe e propus tirar uma foto de cada um, com elementos de sua vida atual, usando como fundo a foto de 1967… Depois de vinte anos, as autoridades do Colégio aceitaram pela primeira vez que nos lembrássemos daqueles que desapareceram ou foram assassinados pelo terrorismo de Estado durante os anos negros da ditadura” comenta Brodsky.

Segundo Diógenes Moura, curador da mostra, Marcelo Brodsky construiu um ensaio fotográfico a partir de ausências tão próximas quanto ele mesmo… Boa Memoria é um documento sobre a ditadura militar na Argentina e em todas as outras partes do mundo onde o sistema político atiçou (e ainda atiça) as suas garras. Esta exposição chega ao Memorial da Resistência de São Paulo num momento em que comemoramos o bicentenário das lutas de resistência na América Latina. Boa Memoria reconstrói Marcelo Brodsky para si mesmo. ..Traz Brodsky, num navio, ao lado de seu irmão sobre as águas marrons do rio da Prata onde os corpos eram atirados e onde hoje, em Buenos Aires, está instalado o Parque de la Memoria. É lá, naquele espaço onde a emoção perde o nome, que justamente estão inscritos os nomes de quase todos os desaparecidos. Ao trazer para os nossos olhos a própria história de Marcelo Brodsky irmanada à história de muitas outras famílias, Boa Memoria cruza o espaço da vida com o que a vida, a palavra, a memória e a fotografia têm de mais extraordinário: ir doontem ao muito além.