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Estrutura em movimento ? A gravura na obra de Iberê Camargo

30 ago 2014
15 mar 2015

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta de 30 de agosto a 31 de Janeiro 2015, no terceiro andar da Estação Pinacoteca, a mostra Estrutura em movimento – A gravura na obra de Iberê Camargo. Considerado um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20, Iberê Camargo (1914-1994) é autor de uma obra extensa. Com curadoria de Carlos Martins e José Augusto Ribeiro, curadores da Pinacoteca, a exposição homenageia o centenário de nascimento do artista e apresenta cerca de 100 trabalhos, entre pinturas, desenhos, guaches e gravuras, realizados desde o período de formação do artista, nos anos de 1930 e 1940, até as suas últimas manifestações, no começo da década de 1990.

As obras apresentadas na mostra integram a coleção da Fundação Iberê Camargo e apontam para inter-relações – técnicas e morfológicas – entre os diferentes meios em exercício ao longo dessa trajetória e, sobretudo, sublinha a importância da gravura na obra completa de Iberê Camargo, em que a pintura é central. “O que sobressai, então, de uma visada abrangente como essa é, em primeiro lugar, a unidade interna que preside o andamento de quase 60 anos de atividade: um processo metódico de pequenas radicalizações, em que cada trabalho, quando visto em retrospectiva, é capaz de manter-se em tensão com toda a obra”. Afirma José Augusto Ribeiro, uma dos curadores da mostra.

A exposição Estrutura em movimento – A gravura na obra de Iberê Camargo faz uma investigação sobre em que medida a pintura de Iberê Camargo informa a sua obra gráfica, e vice-versa. Nesse sentido, o aspecto pictórico da gravura talvez tenha o seu ápice no começo dos anos 1960, quando o artista explora em suas gravações as marcas de pincelada com manchas liquefeitas, tanto para o entroncamento como para a dispersão dos componentes da imagem. Os resultados mais particulares dessa produção realizam passagens de áreas sombrias, densas, para outras luminosas, aéreas, por meio de efeitos parecidos com o da veladura. Comparado com trabalhos gráficos anteriores, um número significativo das gravuras impressas a partir do final da década de 80 desenha também com traços sintéticos cenas de figuras humanas, bicicletas, cadeiras, manequins, ou seja, personagens e coisas que, embora sejam ali signos de extenuação e confinamento, surgem de um grafismo dinâmico e aberto. Mas, frente às variações do conjunto reunido na exposição, o rigor com os métodos, as atitudes e a potência visual é uma constante.

 

SOBRE O ARTISTA

Iberê Camargo nasceu em Restinga Seca, interior do Rio Grande do Sul, Brasil, em 1914. Em 1927, iniciou seu aprendizado em pintura na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria. Em 1936, mudou- se para Porto Alegre, onde conheceu Maria Coussirat Camargo. E foi com tela e tintas dela, então estudante do Instituto de Belas Artes, que Iberê pintou seu primeiro quadro, às margens do Riacho, na Cidade Baixa – assim começou o namoro do casal e assim “começou o pintor”. Em 1939, Iberê e Maria se casaram. Em 1942, ano de sua primeira exposição, o artista e sua esposa mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde viveram por 40 anos.

Admirador e amigo de artistas brasileiros como Goeldi e Guignard, em 1948 viajou para a Europa (através de um Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, conquistado com sua obra Lapa, de 1947) em busca de aprimoramento técnico. Durante sua estada, visitou museus, realizou cópias dos grandes mestres da pintura e estudou gravura e pintura com Giorgio De Chirico, Carlo Alberto Petrucci, Leoni Augusto Rosa, Antonio Achille e André Lhote.

De volta ao Brasil, em 1950, Iberê conquistou inúmeros prêmios e participou de diversas exposições internacionais, tais como Bienal de São Paulo, Bienal de Arte Hispano-Americana em Madri, Bienal de Veneza, Bienal de Gravuras em Tóquio, entre outras exposições importantes. Foi no final dos anos 1950 que, devido a uma hérnia de disco que o obrigou a pintar no interior de seu ateliê, o artista desenvolveu um dos temas mais recorrentes em sua pintura: os Carretéis. São estes brinquedos de sua infância que o levaram, mais tarde, à abstração, e que estiveram presentes em sua obra até a fase final.
Na década de 1980, retomou a figuração. Mas, ao longo de toda sua produção, nunca se filiou a correntes ou movimentos. Em 1982, retornou a Porto Alegre, onde produziu duas de suas séries mais conhecidas: as Idiotas e os Ciclistas. Iberê Camargo faleceu em agosto de 1994, aos 79 anos, deixando um grande acervo de mais de 7 mil obras, entre desenhos, gravuras e pinturas. Grande parte desta produção foi deixada a Maria, sua esposa e companheira inseparável, cuja coleção compõe hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.