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Goeldi na coleção da Pinacoteca de São Paulo

29 set 2012
18 ago 2013

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura, apresenta a exposição Goeldi na coleção da Pinacoteca de São Paulo, com 56 gravuras realizadas por Oswaldo Goeldi (Rio de Janeiro, RJ, 1895-1961), um dos mais destacados artistas do modernismo brasileiro. Disposta em ordem cronológica, a exposição apresenta trabalhos realizados a partir de 1924, quando o artista estabelece uma relação estreita com a produção de gravuras e já seleciona temas que se desdobrariam por quatro décadas. Aspectos desolados da cidade, ruas estreitas da periferia, casario suburbano, cenas de noite e solidão fazem parte do repertório da artista desde o inicio, assim como a infelicidade de pessoas marginalizadas pela sociedade, prostitutas e ladrões e de seres da noite. O mar e os pescadores, num segundo momento, atrairiam sua atenção. Esses temas podem ser vistos nas obras Pescadores, c. 1950, Urubus, c. 1925, Três Mulheres, 1945, Vida noturna, 1935, entre outros.

A mostra tem o objetivo de contextualizar o conjunto de 56 gravuras na produção do artista. Sabe-se que Goeldi começou a gravar em 1924, seguindo a orientação do amigo Ricardo Bampi (1896-1965), que havia estudado na Bauhaus (escola de design e arquitetura com sede em Dessau, Alemanha, de 1919 a 1933), e na ocasião morava em Niterói. Com ele teria tido noções básicas sobre a preparação da madeira como matriz de gravuras, assim como o manuseio de goivas e os procedimentos para a impressão da imagem gravada. A partir de então trabalha incessantemente, e seu legado é um número incontável de desenhos e xilogravuras, sendo que muitos deles foram usados como ilustração de livros e periódicos. “A recente incorporação ao acervo da Pinacoteca de São Paulo de obras de Oswaldo Goeldi foi uma importante contribuição para a sua coleção de gravuras. Na sequência, deu-se inicio a um cuidadoso trabalho de classificação dessas obras, com o intuito de proceder a uma datação, a mais acurada possível”, afirma Carlos Martins, curador da mostra.

Sobre o artista
Oswaldo Goeldi – (Rio de Janeiro, 31 de outubro de 1895 – Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 1961) Gravador, desenhista, ilustrador e professor, Goeldi é considerado o pai da gravura moderna brasileira. Filho do cientista naturalista Emílio Augusto Goeldi, vive em Belém do Pará até completar seis anos, quando se transfere com a família para a Suíça. Cursa a Escola Politécnica de Zurique a partir de 1914, porém, quando seu pai falece, em 1917, interrompe o curso e matricula-se na École des Arts et Métiers de Genebra. No mesmo ano, realiza sua primeira mostra individual, em Berna, na Suíça. Nessa época, conhece a obra do grupo expressionista Cavaleiro Azul e de Alfred Kubin, de quem se torna amigo e recebe grande influência. Em 1919, fixa-se no Rio de Janeiro e trabalha como ilustrador da revista "Para Todos". Expõe pela primeira vez no Brasil em 1921, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. A crítica local não compreende seus desenhos de traços fortemente expressionistas. Goeldi se decepciona com a repercussão negativa da mostra e se isola do meio artístico carioca.

Interessa-se pela gravura em madeira a partir de 1924. Em 1930 publica o álbum Dez Gravuras em madeira, com prefácio de Manuel Bandeira. Em 1941realiza a série de desenhos "As Luzes se apagam", sobre a II Guerra Mundial. No mesmo ano, viaja para a Bahia, onde se protege da perseguição aos alemães, ocorrida por causa da guerra. Em 1944, publica seis xilogravuras na revista ”Clima”, intituladas "Balada da morte". O Ministério da Educação e Cultura edita o álbum “Goeldi”, em 1955.
Durante toda sua carreira, ilustra livros, entre os quais: Canaã, de Graça Aranha (1928, não publicado); Cobra Norato, de Raul Bopp (1937); Martim Cererê, de Cassiano Ricardo (1945); Humilhados e ofendidos e Recordações da Casa dos Mortos, ambos de Dostoievski (em 1944 e 1945, respectivamente). Em 1960, ilustra Mar Morto, de Jorge Amado, editado sete anos depois da sua morte. Colabora com ilustrações em periódicos como O Malho (a partir de 1924) e o suplemento dominical Autores e livros do jornal A Manhã (a partir de 1941). Em 1952, começa a dar aulas na Escolinha de Arte de Augusto Rodrigues no Rio de Janeiro e, em 1955, é convidado pela Escola Nacional de Belas-Artes para lecionar. Entre suas principais exposições individuais, destacam-se:Instituto dos Arquitetos do Brasil, Rio de Janeiro (1944); retrospectiva no Museu de Arte Moderna (1956) e Museu Nacional de Belas Artes (1971), ambos no Rio de Janeiro. Participa de diversas edições da Bienal de Veneza e da Bienal de São Paulo, sendo que nesta recebe o Primeiro Prêmio de Gravura Nacional, em 1951. Por ocasião do centenário de seu nascimento (1995), é homenageado com importantes mostras no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado, no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo e no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro). Em 1999, a Casa França Brasil, no Rio de Janeiro, dedica-lhe uma individual. Está presente nas principais exposições coletivas de gravura, tanto no Brasil como no exterior.