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Joaquín Torres Garcia

03 dez 2011
26 fev 2012

 A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta a exposição Joaquín Torres García: Geometria, Criação, Proporção, com cerca de 150 trabalhos realizados entre 1913 e 1943, sendo 57 desenhos, 44 pinturas, 20 aquarelas, seis colagens, três afrescos, três brinquedos de madeira, objetos, uma coleção de livros, manuscritos e fotos. Nascido em Montevidéu, Torres García (1874-1949) mudou-se para Barcelona ainda criança, tendo vivido também em Nova Iorque, Paris e Madri, vivenciando diferentes vertentes da arte construtiva do começo do século XX. Nesse contexto, o artista defendia uma arte que não imitasse a realidade, embora a natureza permanecesse como fonte de inspiração. Para ele, a arte não só poderia como deveria atingir um nível transcendental: “é uma verdade inegável a de que, por trás da aparência do real, existe outra realidade que é a verdadeira e que não é outra coisa senão o que chamamos de espírito”.

A mostra, que tem curadoria de Jimena Perera e Alejandro Diaz, bisnetos de Torres García e
diretores do museu que leva o seu nome, apresenta um recorte abrangente da produção do artista. Da Arte Mediterrânea à Arte Construtiva, são traçados os caminhos percorridos por Torres García na busca de uma autêntica saída para os questionamentos trazidos pela arte moderna. Essa busca é percebida não somente em suas pinturas, mas também nos murais, aquarelas, desenhos e manuscritos, assim como nos brinquedos produzidos ao longo de toda sua trajetória artística. Na exposição, estas diferentes linguagens estão representadas por obras provenientes de diversas coleções ao redor do mundo.

Entre as obras expostas estão La Edad de Oro de la Humanidad, 1913-1917, um dos quatro murais que Torres García realizou no Palácio da Assembléia de Barcelona. Geometria, Criação, Proporção é New York,1920, onde o artista sintetiza cenas das ruas, com arranha-céus, trens elevados e cartazes de anúncios. Sin Título, de 1928, no qual a simplificação da cor e a linha dão continuidade à arte construtiva, para a qual ele se dedica totalmente a partir de 1930.

Legado com identidade própria
Joaquín Torres García desenvolveu a sua formação e boa parte da sua produção na Europa, com uma curta passagem pelos Estados Unidos. Na Espanha, sua arte mediterrânea foi tomada como modelo estético pelo Noucentisme, movimento político e cultural criado para promover a identidade e autonomia catalã. Em Nova Iorque (1920-22), como forma de garantir o sustento da família, tentou buscar escala industrial

para seus juguetes transformables compostos por peças intercambiáveis que permitiam à criança desmontá-lo e voltar a montá-lo da maneira que quisesse.
Depois de viver no norte da Itália e sul da França, em meados de 1926 Torres García estabelece-se em Paris com a mulher e os quatro filhos. É quando cria o grupo Cercle et Carré, que reúne mais de 80 artistas de tendência construtiva e publica uma revista com o mesmo nome. Realiza muitas exposições coletivas e individuais em Paris, Barcelona e Amsterdam junto com artistas como Mondrian, Picasso, Van Doesburg, Vantongerloo, Miró, Barradas e muitos outros. A próxima parada foi Madri (1932-33), onde escreveu Arte Constructiva.
Em abril de 1934, aos 60 anos de idade e após 40 anos de ausência, Torres García retorna a Montevidéu com o propósito de fundar um importante movimento de arte construtiva que, enraizado numa profunda tradição universal, fosse também a expressão de uma arte própria, não apenas para o Uruguai, mas para toda a América. Cria a Associação de Arte Construtiva e retoma a publicação da revista Cercle et Carré, chamando-a Círculo y Cuadrado. Realiza muitas exposições coletivas e participa do Salon des Surindépendants de 1936 com excelentes críticas. Pinta a série Hombres Héroes y Monstruos e profere mais de 500 conferências sobre arte e estética. En 1942, o artista transforma a AAC no Ateliê Torres García, um espaço de produção coletiva, formado por jovens que assumem fervorosamente as ideias do mestre. O artista morre em 8 de agosto de 1949, aos 75 anos, e deixa como legado uma escola pictórica e americana com identidade própria – La escuela Del Sur -, que permanece como um dos mais consistentes movimentos artísticos do século XX.