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Lá & Cá, retrospectiva Fernando Lemos

24 set 2011
15 nov 2011

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A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta a exposição Lá e Cá. Retrospectiva Fernando Lemos com cerca de 200 trabalhos. Esta é a primeira exposição apresentada pela Pinacoteca do Estado que reúne as diversas técnicas utilizadas por Fernando Lemos, desde suas primeiras fotografias e pinturas realizadas entre 1949 e 1952, os desenhos das décadas de 1950 e 1960, até as aquarelas dos anos 1990 e os desenhos em técnica mista que produz até hoje, em trabalho cotidiano.

Entre os destaques da mostra estão os desenhos realizados nos anos 1950, que lhe deram o prêmio de melhor desenhista nacional, na 4ª Bienal Internacional de São Paulo, 1957, e uma série inédita de retratos fotográficos de personalidades brasileiras com as quais conviveu, entre elas: Lourival Gomes Machado, Lygia Fagundes Telles, Hilda Hilst, Antunes Filho, Maria Bonomi e Amelia Toledo. A exposição também traz criações para estampa de tecidos, tapeçaria, mural e cerâmica, trabalhos de ilustração e projetos gráficos, além de documentos, alguns de seus poemas, e a projeção de filmes que acompanham a atuação de Fernando Lemos como artista plástico, fotógrafo e designer, bem como sua trajetória de intelectual em Portugal e no Brasil.

Vera d’Horta, curadora da mostra, conta que o título foi inspirado no livro de poesia do próprio artista intitulado Cá & Lá, 1985, pois ele remete à idéia de um pé no Brasil e outro em Portugal, e à figura do “artista inquieto que se desdobra em muitos, sem levar a sério os próprios limites”. Ainda segundo a curadora, “Fernando é reconhecido como um dos principais expoentes do grupo surrealista português. Apesar da originalidade de seus trabalhos, produzidos em sua maioria no Brasil, ele é muito mais conhecido e reconhecido em Portugal. A Pinacoteca fez jus ao seu talento como fotógrafo na retrospectiva realizada em 2004. Está, portanto, em tempo de o Brasil apresentar uma ampla mostra, exibindo os talentos do desenhista, pintor, fotógrafo e designer”.
José Fernandes de Lemos (Lisboa, Portugal 1926). Designer gráfico, fotógrafo, desenhista, pintor, gravador, muralista e poeta. Atua como fotógrafo em Portugal, no início da década de 1950, e participa de um ambiente intelectual de resistência à ditadura salazarista. Sua produção tem caráter experimental, de inspiração surrealista, "O surrealismo me atrai por seu sentido de liberdade plena. Assumimos tudo o que há de riqueza no sonho. Essa liberdade do surrealismo deu à minha obra o que hoje se chama de multimídia. Escrevo como se fizesse fotografia, faço fotografia como se pintasse, pinto como se estivesse fazendo desenho", diz Lemos.

Em 1953 vem para o Brasil e reside por algum tempo na Pensão Mauá, no Rio de Janeiro, onde fotografa escritores e artistas. No ano seguinte, muda para São Paulo e torna-se amigo de artistas do movimento construtivo, como Willys de Castro e Hércules Barsotti. Nesse mesmo período, parte de suas fotografias é exposta no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ.
Após sua transferência para o Brasil, passa a se dedicar mais intensamente ao desenho, que lhe rende, na IV Bienal de São Paulo, em 1957, o prêmio de melhor desenhista nacional. Na década seguinte, suas formas abstratas, de sugestões orgânicas, se transferem para a pintura. Tem uma produção não-figurativa na qual utiliza formas recortadas e sinuosas, que muitas vezes se aproximam de signos gráficos, em composições estruturadas principalmente pela linha, como em Símbolos, 1967. Em outros trabalhos emprega a geometria de maneira expressiva. Explora, ainda, a luminosidade da aquarela.
Como escritor e ilustrador, Fernando Lemos integra entre 1955 e 1975 a redação do jornal Portugal Democrático, órgão dos exilados políticos portugueses no Brasil, produzindo inúmeras ilustrações de caráter político. Também ilustrou artigos, contos e poesias para o Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo. Entre 1968 e 1970, ocupa a presidência da Associação Brasileira de Desenho Industrial – ABDI, da qual é membro fundador.
Fernando Lemos já participou de diversas exposições coletivas como: II, III, IV, IX, XV Bienais de São Paulo, 1953, 1955, 1957, 1967, 1979; IV Bienal de Tóquio, 1957, II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, 1962, Portugal; Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, 2000, São Paulo. Entre as individuais estão: O artista e a Máquina, 1966, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu de Arte de São Paulo, Tapeçarias Portuguesas, 1978, na Fundação Armando Álvares Penteado, O artista e a Criança na Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1980 e À sombra da Luz, à luz da sombra, 2004, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Nos últimos anos tem-se dedicado ao desenho e a uma série de interferências em fotografias ‘rejeitadas’, utilizando-as como ponto de partida para novos trabalhos que, ao final do processo ele amplia digitalmente – uma série de catorze dessas “Ex-Fotos”, ampliações de cerca de um metro, também estarão na retrospectiva.