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Luzia Simons

14 dez 2013
02 mar 2014

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição, Segmentos de Luzia Simons. Realizada especialmente para o Projeto Octógono Arte Contemporânea, a instalação é composta quatro obras, quatro ampliações fotográficas moduladas, recortadas em 12 partes que são posicionadas no espaço com suas costas voltadas para cada uma das entradas. Incomuns em seu efeito claro-escuro, de concepção barroca mesmo, os scannogramas de Luzia Simons têm uma sonoridade trazida do silêncio para o rumor barulhento da metrópole, voltando depois ao silêncio.

Segundo Luzia a instalação faz uma alusão aos jardins fechados, tradicionalmente encerrados com tramas metálicas ou cercas de madeira. Alude, ainda, ao próprio Jardim do Éden. Este ambiente, no entanto, não se propõe acolhedor, mas sacramental como os ostensivos jardins ou mesmo os museus. A tulipa é o motivo central da série „Stockage“, uma vez que – originária do Kasakstão transformou-se em símbolo identitário de Istambul e dos Países Baixos. Suas inúmeras espécies e criações deixam claro para Luzia Simons o que ela chama de „tingimento“ e „transferência de cor“ ou seja, o processo de adaptação e transformação. As flores brilham em meio a um escuro difuso, o que pode ser entendido como uma releitura das naturezas-mortas holandesas, mas que também trata do aspecto da fugacidade. Afinal, a tulipa tornou-se um dos motivos centrais da vanitas após o colapso do mercado holandês em fevereiro de 1637. Com isso, a artista construiu uma ponte – do século XVII até os tempos atuais, com os aspectos típicos da nossa época, como globalização, nomadismo cultural e marcas multiculturais. A quantidade de referências metafóricas que explicitamente se debruçam sobre temas atuais de nossa sociedade transformou o conteúdo aparentemente „adorável” da peça floral em uma mídia discursiva surpreendente.

Com fotografias, filmes, performances e instalações a artista brasileira residente em Berlim, Luzia Simons vem desenvolvendo um corpo de trabalho, desde os anos 1990, em torno de questões como identidade, memória e globalização. Ela desenvolveu sua linguagem no captar e registrar imagens, que denominou “scannograma”. Feito para a digitalização de documentos, o scanner não possui lente nem foco. ao contrário das imagens produzidas, correntemente, com lentes fotográficas. Nesta técnica os objetos são colocados diretamente sobre um scanner, que capta, minuciosamente por um sistema de linhas e pontos, todos seus detalhes formais e variações cromáticas. Os scannogramas reproduzem uma luminosidade dramática e quando ampliados em grande escala ganham teatralidade.

Luzia Simons nasceu em 1953, em Quixadá. Vive e trabalha em Berlim. Flowers and Mushrooms (Museum der Moderne, Salzburg, Áustria, 2013), Personificação de Identidades (Bienal de Curitiba, Casa Andrade Muricy, 2013), Wenn Wünsche wahr werden (Kunsthalle Emden, Emden, Alemanha, 2013), Lost paradise (Mönchehaus Museum Goslar, Goslar, Alemanha, 2012), Flowers in photography (Tokyo Art Museum, Tóquio, Japão, 2012); Time, death and beauty (FotoKunst Stadtforum, Innsbruck, Áustria, 2011); Wild Things, (Kunsthallen Brandts, Odense_Dinamarca 2010) Nature forte (Kunstverein Wilhelmshöhe, Ettlingen, Alemanha, 2009) e Garden Eden – A representação do jardim na arte desde 1890, (Kunsthalle Emden, Emden, Alemanha, 2007), são algumas das mostras coletivas de que participou nos últimos anos. Suas exposições individuais incluem: Jardins Alheios (Kunstverein Bamberg, Bamberg, Alemanha, 2012); Stockage (Centre d’Art de Nature, Château Chaumont-Sur-Loire, França, 2009). Stockage (Künstlerhaus Bethanien, Berlim, Alemanha 2006) Stockage (Städtische Galerie Ostfildern, Alemanha 2005) Face migration: sichtvermerke, (Württembergischer Kunstverein Stuttgart, Alemanha 2002) Transit (SESC Paulista São Paulo, Brasil 2001)

Tem trabalhos em coleções públicas como as de Graphisch Sammlung der Staatsgalerie, Stuttgart, Alemanha; Fonds National d’Art Contemporain, Paris, França; Casa de las Américas, Havana, Cuba; University of Colchester, Collection of Latin American Art, Essex, Inglaterra; Museu de Arte de São Paulo Coleção Pirelli, São Paulo, Brasil: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, entre outros.

Créditos