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Marcelo Grassmann: Gravuras do acervo da Pinacoteca

15 fev 2014
31 jul 2014

A exposição Marcelo Grassmann: Gravuras do acervo da Pinacoteca apresenta cerca de 90 trabalhos realizados entre as décadas de 1940 e 1960. Marcelo Grassmann (São Simão, SP, 1925 – São Paulo, SP, 2013) é um dos principais gravuristas brasileiros e esta é a primeira exposição realizada, pela Pinacoteca, após a morte do artista, falecido em Junho do ano passado.

Todos os trabalhos que integram a mostra foram selecionados entre as 387 obras do acervo da Pinacoteca, adquiridas em 1969, pela Secretaria da Cultura, com uma seleção realizada seguindo a orientação do próprio artista. São 102 xilogravuras, 127 gravuras em metal, 102 litografias e 56 provas de estado.

Este conjunto talvez seja o mais importante existente em uma coleção pública e se faz, em nossos dias, indispensável para a melhor compreensão da obra gravada de Marcelo Grassmann. “As gravuras da Pinacoteca, de fato, indicam com clareza os rumos das preocupações do artista para a construção de seu imaginário particular e inconfundível. Desde os seus primeiros experimentos com xilogravura, as posteriores incursões pela litografia e, finalmente, pela gravura em metal, fica evidente a sua busca incansável pelas possibilidades que uma matriz – e as diferentes técnicas – propiciariam e contribuiriam para a construção de sua obra”, afirma Carlos Martins, curador da mostra.

Marcelo Grassmann: Gravuras do acervo da Pinacoteca está organizada em ordem cronológica, de 1944 a 1969, e constitui-se numa oportunidade única de ver parte desta aquisição de 1969 reunido num único espaço. Os primeiros trabalhos, 1944, apresentados na mostra são resultado das marcas de goivas que desbastam a madeira com liberdade e veemência. As figuras se definem a partir da linguagem expressionista. Num segundo momento, suas imagens representam seres mutantes, em cenas de violência ou enfrentamento. Grassmann se aproxima do universo que, muito em breve, irá se envolver definitivamente, desafiando a nossa compreensão e imaginação. Algumas experimentações no metal, a volta à xilogravura e um dedicado trabalho na litografia fornecem ao artista, ao longo dos anos de 1950, elementos para imprimir ao seu imaginário um diferencial marcante, com figuras diabólicas, animais horripilantes, composições intrincadas. A retomada, na década de 1960, da gravura em metal com seus múltiplos recursos vai agregar às suas imagens uma atmosfera densa, povoada de figuras arquetípicas.

Sobre o artista
Marcelo Grassmann (São Simão SP 1925 – São Paulo SP 2013). Gravador, desenhista, ilustrador, professor. Estuda fundição, mecânica e entalhe em madeira na Escola Profissional Masculina do Brás, em São Paulo, entre 1939 e 1942. Passa a realizar xilogravuras a partir de 1943. Atua como ilustrador do Suplemento Literário do Diário de São Paulo, entre 1947 e 1948, e do jornal O Estado de S. Paulo, em 1948. Reside no Rio de Janeiro a partir de 1949, atuando como ilustrador do Jornal do Estado da Guanabara. Freqüenta, no Liceu de Artes e Ofícios, os cursos de gravura em metal, com Henrique Oswald (1918 – 1965), e de litografia, com Poty (1924 – 1998). Em 1951, recebe prêmio aquisição da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon. Em 1952, reside em Salvador, onde trabalha com Mario Cravo Júnior (1923). Participou de diversas edições da Bienal de Veneza e de São Paulo. Recebe, em 1953, o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Arte Moderna – SNAM, e viaja para Viena, onde estuda na Academia de Artes Aplicadas.. Passa a dedicar-se principalmente ao desenho, à litografia e à gravura em metal. Em 1969, sua obra completa é adquirida pelo governo do Estado de São Paulo, passando a integrar o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo – Pesp. Em 1978, a casa em que nasceu, em São Simão, é transformada em museu, por iniciativa da Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo, e tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo – Condephaat no mesmo ano. Entre 1991 e 1992, Grassmann é bolsista da Fundação Vitae, em São Paulo.