Logo da Pinacoteca

Apoie

Logo da Pinacoteca

Os Coloritmos de Alejandro Otero

03 set 2012
06 jan 2013

O IAC – Instituto de Arte Contemporânea – apresenta a exposição “O Espaço Ressoante. Os Coloritmos de Alejandro Otero” de 3 de setembro de 2012 a 6 de janeiro de 2013 na Estação Pinacoteca. Em parceria com a Fundação Nemirovsky e a Pinacoteca do Estado e sob curadoria de Rina Carvajal, a mostra é a primeira grande individual do artista venezuelano no Brasil e primeira exibição da série ‘Coloritmos’ fora da Venezuela.

Pintor e escultor, Alejandro Otero (1921-1990) é um dos mais prestigiados nomes na história da abstração. Em sua prática, desenvolveu uma pesquisa lúcida e coerente que lhe permitiu gradualmente resolver questões artísticas, esgotando suas possibilidades e as levando às últimas consequências compositivas.

Otero frequentou a Escuela de Artes Plásticas de Caracas de 1939 a 1945. Depois, se mudou para Paris, onde aprofundou seus estudos da obra de Piet Mondrian e produziu algumas de suas séries pictóricas mais importantes. Entre 1946 e 1948, pintou ‘Las Cafeteras’ (As cafeteiras), um conjunto de obras que marcou sua transição da figuração para abstração e, exposta em Caracas, em 1949, marcou o lançamento da abstração e da arte moderna na Venezuela.

Em 1951, Alejandro Otero iniciou as séries ‘Líneas de color sobre fondo blanco’ (Linhas de cor sobre fundo branco) e ‘Collages ortogonales’ (Colagens ortogonais), nas quais investigou exaustivamente a concepção dinâmica do espaço e da estrutura bidimensional. A ênfase espacial nesses trabalhos levou Otero a considerar a necessidade de um formato “diferente da bidimensionalidade da tela e do papel” e imaginar possibilidades oferecidas pela arquitetura.

Otero retornou a Caracas, onde um importante movimento na arquitetura tinha início. Foi convidado a participar do projeto de integração das artes visuais no curso de arquitetura da Universidad Central de Venezuela. Trabalhando ao lado de um grupo de artistas venezuelanos e estrangeiros (como Mateo Manaure, Francisco Narváez, Jesús Rafael Soto, Alexander Calder, Fernand Léger, Jean Arp e Victor Vasarely), Otero criou uma série de obras públicas em grandes formatos: os murais e vitrais da Faculdade de Engenharia (1954) e as Policromías executadas em mosaico de vidro nas fachadas da Faculdade de Arquitetura (1956) e da Escola de Farmácia (1957).

COLORITMOS

A Estação Pinacoteca exibirá mais de 40 ‘Coloritmos’, temporariamente cedidas por coleções públicas e particulares. Otero produziu a série entre 1955 e 1960, valendo-se de um processo construtivo que integrava diferentes tipos de espaço em um único plano pictórico. As obras “transbordam do plano e lançam-se ao espaço arquitetônico, cingindo-o”, segundo o artista, que propôs a noção do plano como campo espacial de forças em expansão, funcionando simultaneamente como pintura, volume e arquitetura.

Pintados com tinta-laca industrial brilhante Duco aplicada a revólver ou rolo sobre madeira ou Plexiglas, os Coloritmos são módulos de composição de grande formato sobre estruturas retangulares de suporte. Organizados por faixas escuras e paralelas, dispostas em espaços regulares sobre fundo branco, as pinturas ostentam toques de cor entre as faixas que ativam a estrutura do plano por inteiro.

A ênfase no ritmo e na cor, e não na forma, resultou em uma ambiguidade espacial sugestiva. Com grande rigor e dinamismo visual, Otero articulou uma complexa malha de ritmos e tensões de cor, lineares e espaciais, de tal forma que o “ritmo direcionalmente aberto” se estende para o exterior da pintura.

Os primeiros Coloritmos foram construídos por meio de faixas pretas e brancas, com toques de cor pura e brilhante. Entre as linhas escuras, esses acentos de cor produzem vibrações e dão origem a um diálogo entre dimensões, ritmos e espaços. Nos Coloritmos posteriores, ele transformou os toques de cor em retângulos alongados, estabelecendo um esquema mais aberto no qual as faixas, agora destituídas de continuidade, parecem formar um bloco sólido. Enquanto os primeiros Coloritmos atraíam o olhar do espectador para o interior do plano, os painéis subsequentes remetem o olhar do plano para o espaço exterior a ele.

A obra de Alejandro Otero foi exposta em quatro edições da Bienal de São Paulo (1957, 1959, 1963 e 1991), sendo agraciada com Honra ao Mérito na V Bienal, em 1959, além da Bienal do Mercosul em 2007, em Porto Alegre.

129991294670888457_1129991294718851200_2129991294760293571_3129991294799015786_4129991294843818348_5129991294901091624_6129991294964135230_7129991295018098316_8