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Sergio Sister

23 fev 2013
26 maio 2013
A Pinacoteca de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição Sérgio Sister, com cerca de 30 obras, entre pinturas, desenhos e objetos realizadas no período de 1990 a 2012. Entre os destaques da mostra está a série de relevos intituladas Pontaletes que, dispostos na forma de quadrados de aproximadamente 250 x 250 cm, de modo como que casual, multiplicando partes lado a lado, ou em outro dos quatro lados, juntando vários quadrados, em geral recostados na parede, são as obras mais lúdicas de Sérgio Sister, de acordo com o curador Tassinari. Outra importante série também presente na mostra denomina-se Ripas, e é onde Sister encontra uma solução por meio do relevo, e não da pintura, de como conjugar diferentes cores sob a mesma luz. Entre ripas de cores diferentes, em geral duas, aplica uma cor acinzentada a uma delas e se apropria das sombras que, inevitavelmente, projetam as ripas verticalmente dispostas. O resultado é nem coisa nem cor, meio ambas, outra instância do visível em que as sombras se destacam das ripas, mas a elas também aderem, desenhando a verticalidade das ripas.

As Caixas, terceira série relevos, sintetizam boa parte da obra de Sérgio Sister. Na visão de Alberto Tassinari, “há algo de um ovo de Colombo nelas que não para de nos instigar, pois potencializam os três elementos que estão na raiz da poética de Sérgio Sister – luminosidade, feição e afeição. São caixas cópias de caixas de frutas cuja feição é, mais do que em qualquer outro momento da obra de Sérgio Sister, algo de achado no mundo. Algo que o artista olhou e entreviu como possibilidade de trabalho. Penduradas numa parede, e não dispostas horizontalmente, as tiras logo lembram faixas, e, além disso, como caixas, com frente e trás, a luz diferentemente as percorrerá. Tudo se passa como se o artista tivesse encontrado os três elementos poéticos com que trabalha já prontos no mundo. E, de certo modo, encontrou”.
Num depoimento sobre como surgiu a série Caixas e sua relação com Ripas e Pontaletes, o artista afirma: “Encontrei uma pilha de caixas vazias na garagem do prédio onde moro – essas estruturas apresentam uma solução a um problema com o qual eu havia encontrado na prática da pintura. As Caixas foram concebidas em um primeiro momento como obras de ateliê, objetos que foram encontrados e pintados. A pintura de suas tiras verticais foi um experimento que serviu de base para outra série, chamada Ripas, trabalhos que re-configuravam as tiras, transformado-as em ripas de madeira penduradas na parede, lado a lado, em duplas e pintadas.” Mais tarde, o artista percebeu outra estrutura nos arredores de seu prédio: pontaletes utilizados na construção de um edifício para sustentar moldes de lajes de concreto. Sister pintou pontaletes parecidos, apoiando-os, agrupados, em paredes – dispondo-os como “entrosamentos de cores sustentando grandes vazios.”

Sobre o processo criativo que resulta nas variadas densidades de pintura, estruturas mais ou menos aparentes de imagens, diferentes sobreposições ou predominâncias cromáticas o artista explica: “Por uma bela perversão da natureza, o espaço e o tempo acabam reunindo cacos aparentemente desconexos. Não importa se os estilhaços tenham origem na singeleza natural dos anos ou na destruição dos homens. Em algum momento, as tensões e desconexões que se acumulam ou se transfiguram apresentam-se como uma unidade íntegra e visível. Isso me chega através da pintura”.
Sobre o artista

Sérgio Sister nasceu em 1948, em São Paulo, onde reside e trabalha. Participou das 9ª e 25ª edições da Bienal de São Paulo, Brasil (1967, 2002). Los Limites, na Galeria Rafael Ortiz, em Sevilha, Espanha (2011); e Ponto de Equilíbrio, no Instituto Tomie Ohtake (2010); Obra Menor, no Ateliê 397 (2009); e Ao mesmo tempo o nosso tempo, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (2006).. Entre suas exposições individuais recentes estão: Josee Bienvenue Gallery, em Nova York, Estados Unidos (2011); Pinturas, na Galeria Nara Roesler (2008); Pinturas Face a Face, no Instituto Tomie Ohtake (2007), ambas em São Paulo; e Silvia Cintra Galeria de Arte, no Rio de Janeiro (2005). Suas obras fazem parte de acervos como os do Museu de Arte Moderna de São Paulo; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Centro Cultural São Paulo e Instituto Figueiredo