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Sobrenatural

30 nov 2013
09 mar 2014

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura, apresenta na Estação Pinacoteca a exposição coletiva, Sobrenatural. A mostra é composta por cerca de 20 obras de sete artistas brasileiros: Erika Verzutti (São Paulo, 1971), Ivens Machado (Florianópolis, 1942), João Loureiro (São Paulo, 1972), Leda Catunda (São Paulo, 1961), Saint Clair Cemin (Cruz Alta, 1951), Sergio Romagnolo (São Paulo, 1957) e Tiago Carneiro da Cunha (São Paulo, 1973).
Realizadas entre os anos 1985 e 2012, algumas obras exibidas na mostra são inéditas, Antena, 2012, de João Loureiro e Dino pot, 2012, de Erika Verzutti, e outras são apresentadas pela primeira vez no país como: Allegory, 2008, Saint Clair Cemin, Máquinas pesadas: escavadeiras com martelo hidráulico, 2010, de João Loureiro. Todas as obras pertencem a coleções públicas e particulares de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, inclusive ao acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo que possui a obra Lenta é a Luz da alma, 2011, de Saint Claire Cemin.

Segundo José Augusto Ribeiro, curador da exposição, todos os trabalhos apresentados são unidos pela ambiguidade de suas conformações: são todas peças tridimensionais, figurativas e com os seus processos de realização bastante evidentes, mas cujas formas têm consistência ou contornos imprecisos, disformes e aparentemente provisórios. Sejam ocas, sólidas, construídas com bronze, concreto, plástico, ferro, tecido, madeira ou faiança, em procedimentos manuais ou industriais, essas obras sugerem sempre seres, objetos e cenas instáveis. Dissociam imagem e materialidade em estruturas animadas por superfícies irregulares, descontínuas, por deformações e sobras. Daí a sensação de iminência de um acontecimento, de que os trabalhos atuam, de que estão em ação intermitente, dotados de comportamento ou em meio a um processo de dissolução.

Ainda segundo ele, a curadoria priorizou a análise dessa produção recente pela articulação entre imaginação, erotismo, violência e humor. Ou, de modo geral, pelo que escapa à ideia de uma primazia da linguagem construtiva na matriz da arte contemporânea brasileira – já que os procedimentos construtivos adotados pelos trabalhos selecionados para essa exposição não geram necessariamente resultados construtivos. Em vez disso, as soluções de construção tomadas aqui produzem a visualidade de algo em desmancho, em desmantelamento, de desconcerto.