Logo da Pinacoteca

Apoie

Logo da Pinacoteca

Teoria da cor – Miguel Rio Branco

26 abr 2014
20 jul 2014

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta na Estação Pinacoteca a exposição Teoria da cor de Miguel Rio Branco, um dos mais destacados fotógrafos brasileiros do cenário contemporâneo e o único que integra a agencia de fotografia Magnum, fundada por Cartier Bresson. A mostra apresentada na Estação Pinacoteca, reúne cerca de 40 trabalhos de Miguel Rio Branco (Las Palmas de Gran Canaria, Espanha 1946) realizados desde o início de sua trajetória, 1960, até as obras mais recentes, 2012.

A seleção inclui fotografias, instalações, objetos e pinturas, que demonstram a variedade de técnicas e soluções utilizada pelo artista na construção de suas obras. Ao mesmo tempo, seus trabalhos exploram ao máximo o potencial das mais diversas linguagens visuais, chegando, inclusive, a integração de umas com as outras. “Um grande exemplo dessa diversidade de materiais pode ser percebido na natureza pictórica da fotografia do artista; daí o fato de a sua pintura incorporar a colagem, insinuar volumetrias, e daí também a sugestão de ritmos narrativos, por meio da combinatória ou da projeção de imagens “paradas”, que apontam para a edição e a montagem cinematográfica… Não é por acaso, então, que os ambientes e objetos presentes nas obras de Miguel são degradados, precários e acumulam marcas de uso; os corpos exibem cicatrizes; os contrastes e a saturação de cor e luz borram os limites entre os elementos das imagens; e arma-se, enfim, uma atmosfera de prazer e dor, drama e lirismo, em composições bastante singulares no contexto da arte contemporânea brasileira”, afirma José augusto Ribeiro, curador e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em História e Crítica de Arte da Pinacoteca.

Entre os destaques da exposição estão os primeiros trabalhos produzidos por Miguel Rio Branco, a instalação Diálogos com Amaú, 1983, que marca a transição do artista da fotografia para a projeção de imagens e Entre os Olhos o Deserto que foi produzido entre a fronteira dos Estados Unidos e o México em 1998.

Sobre o artista

Miguel da Silva Paranhos do Rio Branco (1946) filho de diplomata brasileiro, neto de J. Carlos, bisneto do barão do Rio Branco e tataraneto do visconde de Rio Branco. É pintor, fotógrafo, diretor de cinema, além de criador de instalações multimídia. Atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro. Trabalhou intensamente na Europa e Américas desde o começo de sua carreira, em 1964, com uma exposição em Berna, Suiça. Em 1966 estudou no New York Institute of Photography e em 1968 na Escola Superior de Desenho Industrial no Rio de Janeiro. Rio Branco começou expondo pinturas em 1964, fotografias e filmes em 1972. Trabalhou como fotógrafo e diretor de filmes experimentais em Nova Iorque de 1970 a 1972. Dirigiu e fotografou curtas metragens e longas nos próximos nove anos. Paralelamente, perseguindo sua fotografia pessoal, desenvolveu um trabalho documental de forte carga poética. Em pouco tempo foi reconhecido como um dos melhores fotojornalists de cor. Nos anos 80 Miguel Rio Branco foi aclamado internacionalmente por seus filmes e fotografias na forma de prêmios, publicações e exposições como o Grande Prêmio da Primeira Trienal de Fotografia do Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Prêmio Kodak de la Critique Photographique, de 1982, na França, que foi dividido com dois outros fotógrafos. Seu trabalho fotográfico foi visto em várias exposições nos últimos 20 anos, como no Centre George Pompidou, Paris; Bienal de São Paulo, 1983; no Stedelijk Museum, Amsterdam, 1989; no Palazzo Fortuny, Venice, 1988; Burden Gallery, Aperture Foundation, New York, 1986; Magnum Gallery, Paris, 1985; MASP, São Paulo; Fotogaleria FUNARTE, Rio de Janeiro, 1988; Kunstverein Frankfurt, in Prospect 1996; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1996.

Miguel Rio Branco dirigiu 14 curtas metragens e fotografou 8 longas. Seu trabalho mais recente como diretor de fotografia pode ser visto em 1988 no filme “Uma avenida chamada Brasil” de Otavio Bezerra. Ganhou o prêmio de melhor direção de fotografia por seu trabalho em “Memória Viva” de Otavio Bezerra e “Abolição” de Zozimo Bulbul no Festival de Cinema do Brasil de 1988. Também dirigiu e fotografou 7 filmes experimentais e 2 videos, incluindo “Nada levarei qundo morrer aqueles que mim deve cobrarei no inferno”, que ganhou o prêmio de melhor fotografia no Festival de Cinema de Brasília e o Prêmio Especial do Juri e o Prêmio da Crítica Internacional no XI Festival Internacional de Documentários e Curtas de Lille, França, 1982. As fotografias de Rio Branco foram publicadas em diversas revistas como Stern, National Geographic, Geo, Aperture, Photo Magazine, Europeo, Paseante. Dulce Sudor Amargo, o primeiro livro de Rio Branco foi publicado em 1985 pelo Fundo de Cultura Economica, Mexico. O segundo, Nakta, com um poema de Louis Calaferte foi publicado em 1996 pela Fundação Cultural de Curitiba. Em 1998 lançou dois livros: Miguel Rio Branco, com ensaio de David Levi Strauss, lançado pela Aperture; e Silent Book, pela Cosac Naify.

Miguel Rio Branco possui obras no acervo de coleções públicas e particulares européias e americanas, que inclui as seguintes instituições: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo; o Museu de Arte de São Paulo; Centro George Pompidou, Paris; o San Francisco Museum of Modern Art; o Stedelijk Museum, Amsterdam; o Museum of Photographic Arts of San Diego e no Metropolitan Museum of New York.