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Traduções da natureza: bancos amerindios e desenhos naturalistas

16 maio 2015
30 ago 2015

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, recebe a partir do dia 16 de maio a exposição Bancos Indígenas, que reúne peças da coleção BEI.

As peças foram produzidas por populações indígenas do Xingu e da Amazônia e reproduzem, em sua maioria, animais dessas regiões. A Exposição reunirá uma seleção de bancos, criados por populações indígenas do Xingu e da Amazônia, todos em formatos de animais típicos destas regiões. Também serão exibidos desenhos da “Viagem Filosófica” de Alexandre Rodrigues Ferreira, naturalista português que realizou uma expedição de 10 anos pela Amazônia brasileira no final do Século XVIII.

A apresentação desses conjuntos coloca em questão as diversas maneiras de representação da natureza, uma de matriz europeia e outra do indígena que vive no território brasileiro, ilustrando de maneira assimétrica o contato entre diferentes culturas. O conjunto dos desenhos do acervo da Biblioteca Nacional é fruto da produção científica naturalista do século XVIII. Compreendem anotações da viagem que tinham como objetivo conservar as características de animais, plantas e objetos indígenas coletados durante a expedição.Os bancos se apresentam em sentido oposto. Carregam em sua realização e em seus grafismos uma simbologia e uma iconografia próprias de cada comunidade.

São objetos considerados “resistentes” que além de sua utilidade, perduram até hoje, pois, guardam as técnicas que perpetuam as tradições de cada povo e suas identidades. São objetos considerados “resistentes”, que não foram substituídos pelos industrializados e perpetuam as tradições de cada povo e sua identidade

A exposição tenta abrir o diálogo entre essas formas de representação e os sentidos para suas comunidades: de um lado, o desenho científico português, que, em sua neutralidade, procura “descrever” para o observador aquilo que é estranho à sua cultura; por outro, a expressão indígena, que se apropria simbolicamente das formas da natureza para a elaboração de peças que não abdicam de sua função utilitária e comunitária.

Em cartaz até o dia 30 de agosto de 2015 no 2º andar da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Obra: Mutum (detalhe), 118 x 43 x 43 cm.
Coleção BEI.
Foto: Rogério Assis

Créditos