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Vistas do Brasil

18 ago 2012
27 jan 2013

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura, apresenta a exposição, Vistas do Brasil com 11 obras que fazem parte dos acervos da Pinacoteca e do Instituto Moreira Salles. Para a exposição foram selecionados trabalhos de dois artistas que contribuíram significativamente para o registro da paisagem brasileira: Johann Moritz Rugendas (1802-1858) e Jean – Julien Deltil (1792-1853). Realizadas entre 1827 e 1835, as obras apresentam a visão do europeu sobre o Brasil; uma narrativa que leva em conta os aspectos do habitat natural até os costumes no século XIX.

O grande destaque da mostra é a exibição do papel de parede Vistas do Brasil, (1829-1830). As imagens que deram origem a essa composição foram as ilustrações do livro Voyage pittoresque dans le Brésil (Viagem pitoresca através do Brasil) de Johann Moritz Rugendas. O jovem artista bávaro, que viveu por cerca de quatro anos no Brasil, fora contratado para acompanhar, como desenhista, a expedição científica comandada pelo barão de Langsdorff (1774-1852). O livro, publicado em fascículos entre 1827 e 1835, tornou-se um dos mais populares álbuns de viagem ao Brasil, rivalizando com a Voyage pittoresque et historique au Brésil (Viagem pitoresca e histórica ao Brasil) de Jean-Baptiste Debret. Para sua produção, foram empregados diversos gravadores, cuja responsabilidade era compor as litografias a partir dos desenhos de Rugendas realizados no Brasil. Esse material, litografias e alguns desenhos, por sua vez, foi colocado à disposição de Jean-Julien Deltil, artista contratado pela Manufatura Zuber (localizada em Rixheim, na França, fabricante de papéis de parede decorativos. A manufatura ainda existe e ainda produz esse papel de parede utilizando as matrizes originais do século XIX) para elaborar a composição final do papel de parede panorâmico Vistas do Brasil.

“Esta é uma obra bastante singular no acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, que chama atenção, em primeiro lugar, por suas características técnicas e dimensões. Trata-se de uma xilogravura colorida de quinze metros de extensão por quase três metros de altura, o que, para uma obra datada do século XIX, já nos faz vislumbrar as inúmeras dificuldades técnicas envolvidas em seu processo de fabricação. (…) não se trata de um papel de parede que replica um mesmo motivo ao infinito; este, ao contrário, se constitui numa sucessão de cenas compostas a partir de diferentes paisagens, que são povoadas de personagens. Tendo em vista a continuidade proposta entre a última e a primeira cenas do papel de parede, o que se apresenta ao observador é uma visão em 360 graus do Brasil, um panorama de paisagens típicas – o perfil de cidade ao longe, a floresta virgem, as plantações, a beira-mar – e personagens característicos – o europeu civilizado, o índio selvagem, o negro escravizado. A visão panorâmica aqui proposta implica na construção de uma narrativa sobre o País, que leva em conta os aspectos considerados mais pitorescos de seu habitat natural e de seus costumes no século XIX, e se destina, obviamente, à apreciação e consumo do público europeu”, afirma Valéria Piccoli, curadora da mostra.