Logo da Pinacoteca

Apoie

Logo da Pinacoteca

Waltercio Caldas

07 fev 2013
07 abr 2013
A Pinacoteca de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição Waltercio Caldas: O Ar Mais Próximo e Outras Matérias, uma mostra panorâmica da produção do artista (1970 a 2011), cuja trajetória coerente propicia uma reflexão entre seus primeiros trabalhos e os atuais. Com cerca de 90 obras, entre instalações, esculturas, objetos e desenhos. Dentre as obras selecionadas para a mostra, nove são inéditas no Brasil: Eureca (2001), O que é mundo. O que não é (2011), Verde por Dentro (2008), Planisfério (2011), Talco (2008), Donde (2009), O Ovo (2011), Azul de Superfície (2005) e Asas (2008).

Waltercio Caldas ocupa um papel importante no cenário artístico do País a partir da segunda metade do século XX. Dono de uma linguagem bastante particular, seu trabalho não é passível de enquadramento artístico. Sem ser minimalista, conceitual ou formalista, ele tangencia vertentes criativas e referências nacionais e internacionais para construir seu discurso artístico por meio um espaço de experimentação e criatividade, sempre desafiando o observador.
Uma das principais questões levantadas na exposição é a capacidade das obras de testar nossa percepção acerca daquilo que visualizamos. O trabalho de Waltercio é um constante desafio para nossa cognição e para o modo como encaramos e reconhecemos um conjunto de materiais. A escolha de elementos simples e familiares permite a aproximação com a composição, mas logo um primeiro reconhecimento superficial sobre a obra se desenvolve em outras possibilidades de interpretação e sentidos oferecidos no trabalho. A obra de Caldas, um dos nomes proeminentes do cenário artístico brasileiro desde os anos 1970, proporciona um intenso exercício de observação para seus visitantes. As instalações permitem que nossa capacidade visual se amplie, visto que aquilo que reconhecemos prontamente logo se transforma.

Para Pérez-Barreiro, Waltercio desafia os hábitos visuais do público ao propor novas percepções do espaço ocupado pela obra de arte. Alguns de seus objetos de mármore, vidro, madeira ou aço exibem superfícies que refletem o entorno; outros obedecem a lógica da transparência, convidando um olhar que os atravesse. Aquário completamente cheio (1981), um recipiente de vidro quase transbordando com água, une essas duas características: reflete o espaço circundante como um espelho e funciona como uma lente para ver o que está por trás sob uma perspectiva diferente.

Ao dialogar com o ambiente onde está inserida, a arte de Caldas requisita a imaginação do observador. O significado das peças surge na interação com o visitante, que é estimulado a engajar seus sentidos numa experiência corpórea e intelectual. Escultura em granito (1986), por exemplo, é um retângulo negro arqueado que se equilibra sobre suas extremidades. As superfícies curvas criam a ilusão de que um material pesado como o granito sólido pode levitar sem esforço algum e traem a nossa compreensão tanto da densidade da pedra quanto da Lei da Gravidade.