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Willys de Castro

21 jul 2012
14 out 2012

 

Regina Teixeira de Barros, curadora da exposição.

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição Willys de Castro, um dos mais importantes artistas brasileiros e representante do movimento Concreto e Neoconcreto, nas décadas de 1950 e 1960. Com cerca de 130 trabalhos, entre pinturas, desenhos, objetos, design gráfico, estudos e projetos, todos realizados entre 1952 e 1988, a mostra tem como ponto de partida as 50 obras que pertencem ao acervo da Pinacoteca do Estado e que estão centradas na produção plástica e gráfica de Willys de Castro (1926, Uberlândia, MG – 1988, São Paulo, SP).

Organizada em ordem cronológica, a exposição é apresentada em três espaços. A primeira tem como ponto de partida a pintura Anjos, de 1952. O estudo dessa pintura, bem como outras pinturas sobre papel desse mesmo período, contextualiza o início do trabalho plástico de Willys com figuras geometrizadas que, em seguida, se desmancham em composições abstratas, regidas por planos de cor. Também são apresentados trabalhos realizados entre 1956 e 1957, período em que Willys se aproxima com mais convicção do credo do Grupo Ruptura e desenvolve uma série de pinturas baseadas em rigorosos princípios matemáticos. Destaque para Pintura 162, Pintura 167, Pintura 172, Pintura M-111 e Pintura 194, sendo as duas últimas pertencentes ao acervo do museu. Nelas, a repetição de estruturas compostas por uma determinada combinatória de formas geométricas resulta ora em progressões crescentes que engendram intensos movimentos centrífugos, ora em ritmos brandos que remetem à cadência musical. Nessas obras, o artista trabalha com elementos e questões comuns ao movimento concreto: cores puras, formas geométricas, efeitos óticos e cinéticos e proximidade com o design gráfico.

Na segunda sala é apresentada a série Soma entre planos e diversos Objetos ativos (1959 – 1962). A série Soma entre planos antecede os famosos Objetos ativos, constituídos por sarrafos de madeira recobertos por telas pintadas com formas geométricas. Essas obras romperam a superfície bidimensional da tela como suporte para a pintura e representaram um dos momentos mais radicais na história da arte no Brasil. “Trasladados para a lateral, as formas geométricas abolem a natureza planar da pintura, impelindo o observador a examiná-la como um objeto tridimensional: daí o nome Objeto ativo. O observador se pergunta: trata-se de pintura ou escultura?”,afirma a curadora Regina Teixeira de Barros.
E por último poderão ser vistos os Pluriobjetos, 1988, esculturas de metal ou madeira que resultam de operações semelhantes às dos Objetos ativos. Na série Pluriobjeto A6 (1988), por exemplo, o artista trabalha com estruturas de madeira vertical, na qual explora, através de deslocamentos, diferentes possibilidades combinatórias e sua relação com o espaço. Assim como nos Objetos ativos, em Pluriobjetos, a obra nunca se completa, porque não existe ponto ideal de observação e o visitante deve observá-la de diversos ângulos. Além deles também serão exibidas diversas peças que Willys de Castro desenvolveu como projetista gráfico, marcas institucionais, impressos, rótulos de embalagens, convites, capas de livros e propaganda, em que a programação visual deveria não só ser atender as necessidades funcionais e simbólicas, mas também a questões estéticas.

Sobre o artista

Willys de Castro (Uberlândia MG 1926 – São Paulo SP 1988). Pintor, gravador, desenhista, cenógrafo, figurinista, artista gráfico. Mudou-se para São Paulo em 1941, quando começa seus estudos de desenho com André Fort. Pioneiro do design gráfico brasileiro, Willys de Castro sempre esteve relacionado com o universo industrial, trabalhando como desenhista técnico entre 1944 e 1945 e formando-se Química Industrial em 1948.
Realizou seus primeiros desenhos abstrato-geométricos em 1950, ano em que iniciou estágio em artes gráficas; em 1953, produziu seus primeiros trabalhos concretos. Fundou o Estúdio de Projetos Gráficos em 1954, com Hércules Barsotti, onde atuou até 1964. A cidade industrial, com sua linguagem racional e sua comunicação de massa, é a base das reflexões da arte concreta. Assim, sua atuação como programador visual foi fundamental para sua formação como artista concreto.
Fundou e participou do movimento Ars Nova, de 1954 a 1957, produzindo partituras para poemas concretos apresentados no Teatro Brasileiro de Comédia. Participou também como figurinista de peças para o Teatro de Arena e o Teatro Cultura Artística.
Em 1958, viajou à Europa, com Hércules Barsotti, onde conheceu artistas e designers. Ao retornar ao Brasil, retomou sua obra, agora cada vez mais orgânica. Fez seus primeiros Objetos ativos em 1959. São retângulos de madeira cobertos por telas e pintados com formas geométricas. São fixados à parede de modo que a obra parece invadir o espaço. As pinturas completam-se nas diferentes laterais do objeto, fazendo o público se mover para absorvê-las na totalidade. O olho procura no espaço a continuação dos traços encontrados ali. Este questionamento dos espaços de expressão convencionais o ligou ao Grupo Neoconcreto, que passou a integrar a partir do mesmo ano. “Os Objetos Ativos de Willys de Castro derivam da mesma vertente inventiva a que pertencem outras obras neoconcretas, especialmente os Relevos de Oiticica e algumas Superfícies moduladas de Lygia” (Ferreira Gullar. In: Arte Construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner. São Paulo: DBA, 1998). Willys de Castro e Hércules Barsotti são os únicos artistas plásticos de São Paulo que participaram do grupo carioca, que havia rompido com o movimento concreto paulista, em 1959.
Expôs na mostra Konkrete Kunst, organizada por Max Bill, em Zurique, em 1960. Foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Desenho Indusrial e da Galeria de Arte Novas Tendências (responsável, junto com Barsotti, por seu logotipo), que reuniu os concretos paulistas, a partir de 1963. Projetou estampas para tecelagem de 1966 a 1967. A partir dos anos setenta faz experiências com o metal e a madeira, e o deslocamento de uma parte da composição, criando os Pluriobjetos.