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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, lança “Atos modernos”, a primeira atividade resultante da parceria estabelecida com a Coleção Ivani e Jorge Yunes que em 2020 escolheu a curadora Horrana de Kássia Santoz para pensar e desenvolver um programa transdisciplinar envolvendo as duas instituições. Neste modelo pouco usado no Brasil, as despesas e encargos trabalhistas da curadora da Pinacoteca são pagas pela instituição privada.

O programa “Atos modernos” reunirá 5 artistas e pesquisadores de diferentes geografias e linguagens que compartilharão seus portfólios e processos criativos, articulando possíveis indícios da modernidade no imaginário institucional e artístico contemporâneo. Ao refletir sobre o contexto colonial e pós-colonial, estruturantes da história do Brasil, é possível afirmar que modernidade não existe sem colonialidade? Como tal questionamento nos encontra, confronta e afeta?

O grupo de artistas é formado por Castiel Vitorino Brasileiro, Mitsy Queiroz, Luciara dos Santos Ribeiro, Olinda Tupinambá e Charlene Bicalho, que de certa forma encontram-se com pesquisas sobre memórias e acervos, temporalidades e ancestralidade. Assim como princípio, o programa retoma o conceito de Sankofa, palavra de origem africana do povo de Acrã, em Gana, que significa regressar as raízes. Como filosofia, Sankofa nos convida a conhecer o passado para compreender o presente e avançar à passos firmes ao futuro.

Com duração de um ano, a partir de junho de 2021, o programa comissionará trabalhos inéditos, onde cada artista terá espaço na programação pública da Pinacoteca para realização de projetos presenciais ou transmitidos nas plataformas digitais da Pinacoteca. Ao final desse processo, uma publicação reunirá fotos, ensaios, pequenos artigos desenvolvidos durante a programa e os registros dos trabalhos comissionados. ​

Enquanto parte da função social dos museus é estimular a criatividade e propagar o conhecimento de todas os saberes e para todos os públicos, um programa de comissionamento torna-se de suma importância para que estes recursos sejam acessados por pessoas e grupos racializados, corpes dissidentes que ainda hoje seguem apartados da história oficial do Brasil” diz Horrana de Kássia Santoz.

Todas as atividades acontecerão entre junho de 2021 a janeiro de 2022 e o resultado destas atividades serão apresentadas a partir de fevereiro de 2022 até junho de 2022, dentro da programação da Pinacoteca.

A Pinacoteca conta com uma grande experiência em convidar artistas a desenvolver obras especificamente para os espaços do museu. Nesta parceria única com a Coleção Ivani e Jorge Yunes, ampliamos esta prática de comissionamento para novos campos da produção e pesquisa artística contemporânea. Estamos muito felizes em iniciar diálogos críticos e inspiradores com as artistas participantes do programa, visando a novas produções” diz Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca de São Paulo.

Beatriz Yunes, diretora da Coleção Ivani e Jorge Yunes, celebra o lançamento de Atos Modernos: “Para nós, é uma alegria ver este projeto de comissionamento iniciado! A Coleção é parceira da Pinacoteca há anos e está muito feliz de ver esta colaboração inédita no Brasil apresentar seus primeiros frutos”.

Artistas participantes

Castiel Vitorino Brasileiro (Fonte Grande. Vitória/Espirito Santo – Brasil, 1996 ).
Artista visual, macumbeira e psicóloga (CRP 06 / 162518) formada em Universidade Federal do Espirito Santo.  Atualmente mestranda  no programa de Psicologia Clínica da PUC-SP sob orientação da Profa. Dra. Suely Rolnik .​ Vive a macumbaria como um jeito de corpo necessário para que a fuga e o descanso aconteçam. Dribla, incorpora e mergulha em sua ontologia Bantu, e assumi a cura como um momento perecível de liberdade. ​ Idealizadora do projeto de imersão em processos criativos decoloniais Devorações.

Luciara dos Santos Ribeiro é Mestre em História da Arte pela Universidade de Salamanca (USAL, Espanha, 2018) com bolsa da Fundación Carolina, e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (PPGHA-UNIFESP) com bolsa CAPES. É graduada em História da Arte pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP, 2014), com intercâmbio na Universidade de Salamanca (USAL, Espanha, 2012). Possui Técnico em Museologia pela Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETEC, 2015). Trabalhou na equipe educativa da Fundação Bienal de São Paulo (2010 e 2011), no Museu Afro Brasil, entre outras instituições. Foi bolsista FAPESP no projeto de digitalização, organização, disponibilização na base de dados de material audiovisual e de pesquisa em Moçambique. Participou de Residência artística em Patrimônio Material do projeto Avizinhações São Paulo ? Maputocontemplado pelo Edital Conexões-Intercâmbios do Ministério da Cultura (MINC, 2015). Temas de interesse: antropologia da arte, ativismo curatorial, exposição e comercialização das artes, sociologia da arte, gestão cultural, políticas culturais, identidade nacional, fotografia, arte contemporânea, diversidade cultural. 

Olinda Tupinambá é jornalista, documentarista, produtora de Audiovisual, Cineasta, e mais recentemente  iniciei atividades como Produtora Fonográfica para suprir as demandas de meus filmes. Iniciei minha vida profissional 2004 através da ONG THYDEWA, quando começoui a trabalhar como produtora de conteúdo para o projeto Índios Online. Trabalhou na produção de texto para o livro Índios na Visão dos Índios Pataxó Hã-hã-hãe, e para o Arco digital uma rede para aprender a pescar.​ Minhas preocupações profissionais e pessoais se concentram na problemática social de grupos minoritários, especialmente os indígenas, e na questão ambiental planetária, com a compreensão de que a visão do todo e holística é fundamental para solucionarmos os problemas pontuais aos quais podemos aplicar esforços para sua solução.​

​Charlene Sales Bicalho (João Monlevade, Minas Gerais, 1982). Artista visual, performer, produtora cultural e educadora. Transitando entre fotografia, vídeo e performance, discute o processo histórico-social da população negra no Brasil utilizando as águas de rios e mares como fios de diálogos com o passado histórico e associando o cabelo das mulheres negras às raízes culturais deste grupo.​ Gradua-se em administração empreendedora pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste), no ano de 2005, e conclui o mestrado em administração pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em 2012. Ingressa na atividade artística em 2010, e amplia seu conhecimento na área com residências no ateliê da artista visual Rosana Paulino (1967), em 2014 e 2018.

Mitsy Queiroz (1988, Recife, Pernambuco, Brasil). Artista visual, pesquisador mestre e arte/educador, entende no seu processo criativo a fotografia enquanto corpo sensível, tensionando uma superfície de contágio que conduza o erro como potencial criativo. Na pesquisa de mestrado em poéticas visuais, refletiu o atravessamento do tempo em programações fotográficas que encarnassem a experiência do corpo trans no mundo. Ultimamente tem investigado a potencialidade da imagem movimento, desenvolvendo o filme-ensaio Primeiras Contrações que dentre muitas experimentações, presa por uma dilatação no tempo que evidencie as disjunções de um corpo nascido em estilhaços. Suas participações mais recentes são no projeto de residências artísticas SESC Confluências 2018-2019; nas feiras SP-Arte e SP-Foto 2020 com o coletivo Nacional Trovoa; e a pesquisa Primeiras Contrações com estreia na plataforma Práticas Desviantes 2021.

Pinacoteca de São Paulo

A Pinacoteca de São Paulo é o museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo. Seu acervo conta hoje com cerca de 11 mil peças.

Possui dois edifícios abertos ao público e com intensa programação: a Pinacoteca Luz e a Pinacoteca Estação. A primeira foi a antiga sede do Liceu de Artes e Ofícios. Projetado no final do século XIX pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, passou por uma ampla reforma, no final da década de 1990, com projeto do arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha (1928-2021). A Pinacoteca Estação foi inaugurada em 2004. Seu prédio também projetado por Ramos de Azevedo, foi totalmente reformado pelo arquiteto paulistano Haron Cohen para receber parte do programa de exposições temporárias e do acervo do museu. Originalmente abrigou os armazéns e escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana.

Coleção Ivani e Jorge Yunes

Iniciada em meados da década de 1970 pelo casal Ivani e Jorge Yunes a coleção foi sendo constituída a partir do olhar apaixonado do casal por arte, beleza e cultura.

Reunido um conjunto excepcional de pinturas, esculturas, prataria, arte sacra, documentos históricos, artefatos etno-históricos e coleções de curiosidades, a coleção Ivani e Jorge Yunes guarda preciosidades da história da arte brasileira do século XVIII até os modernos, artistas internacionais e ícones da história da arte universal.

Desde 2018, Beatriz Yunes, diretora da Coleção Ivani e Jorge Yunes, e Camila Yunes, diretora da Kura Arte, estão à frente da Coleção e coordenam um trabalho museológico minucioso, destacando recortes históricos e artísticos, afirmando assim seu caráter público.

Neste curto espaço de tempo, a coleção estabeleceu um trabalho integrado de sistematização, com especialistas de diversas áreas, que implementaram procedimentos de documentação, catalogação e higienização. Atualmente a coleção tem sido mostrada em diversos museus no Brasil e no mundo por meio de empréstimos, comodatos e doações.