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Fayga Ostrower: Imaginação tangível

30 jan 2021
31 maio 2021

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, inaugura a programação 2021 com exposição sobre Fayga Ostrower, uma das artistas mais marcantes do século XX. A mostra Fayga Ostrower- Imaginação Tangível, com curadoria de Carlos Martins, que conta com patrocínio do Bradesco, estará em cartaz, a partir do dia 01 de fevereiro, na Estação Pinacoteca e apresentará, em 130 trabalhos, um panorama de uma das pioneiras da gravura abstrata no Brasil. Autodidata, inovadora e múltipla em suas realizações, o público poderá apreciar a pluralidade das obras que se relacionavam com a literatura, estamparia, arquitetura, ampliando os limites tradicionais das técnicas de xilogravura e gravura em metal, criando um vocabulário muito particular.

A exposição, que faz parte das celebrações do centenário de nascimento de Fayga, está organizada pelos interesses que norteavam suas preocupações. Em um primeiro momento, os Anos de Formação, onde é visível o uso das narrativas literárias pela artista que se inspirava nos livros para criar imagens e aprimorar o aprendizado da gravura. E mesmo sendo em caráter de experimentação artística, algumas séries acabaram sendo descobertas e publicadas. É o caso de uma edição da obra O cortiço, de 1948, que conta com a ilustração de doze gravuras de Fayga, realizadas em 1944. Logo os seus trabalhos ganham destaques e a mostra trará alguns exemplares, inclusive de encomendas de editoras, como as ilustrações para as obras “Invenção de Orfeu” e “Terra Inútil”, onde Fayga foi responsável até mesmo pela capa. A artista também realizou contribuições sistemáticas para suplementos de arte de alguns jornais da época, onde teve a chance de colaborar com outros artistas importantíssimos como Mario de Andrade e Cecília Meirelles.

Em um segundo momento da mostra, quando a artista já está segura de sua opção pela linguagem abstrata, é possível observar uma Fayga obtendo reconhecimento nacional e internacional, como as gravuras que fizeram com que ela ganhasse o Grande Prêmio Internacional de Gravura na Bienal de Veneza em 1958, além da grande virada da carreira dela. Na década de 50, a artista abandona a figuração e parte para abstração, para composições mais livres. Um dos marcos dessa fase é a edição de um álbum com 10 gravuras, cinco delas serão mostradas. “São raríssimas, muitas dispersaram e não existem mais, temos essas cinco que são do próprio acervo da Pinacoteca. É interessante porque essa seleção é um divisor de águas na carreira dela, pois determina o caminho que Fayga quer seguir, suas propostas estilísticas, como ela mesma dizia, e a partir de então, são traços que privilegiam forma, ritmo e cor, em composições puramente gráficas”, explica o curador da exposição, Carlos Martins, que acompanha as obras de Fayga desde 1983.

Os trabalhos agora impactam pela harmonização das cores e das composições. As estampas, também produzidas a partir desta época, reverberam na libertação da geometria. Acompanhando o impulso que a arquitetura no Brasil passava no período, com o surgimento de construções mais modernistas, Fayga passa a produzir tecidos como arte aplicada que poderiam ser usados em estofamento, decoração de interiores.

Como as estampas eram abstratas, a produção não foi aceita pela indústria e Fayga, junto com um sócio, passou a produzir sem o apoio das fábricas. Na exposição, uma seleção inédita de 19 mostruários, confeccionados entre 1951 a 1956, exemplifica as características desses trabalhos, como o pouco uso das cores, o cuidado em criar estampas que simbolizassem “conforto” para que o público pudesse conviver durante muito tempo nos ambientes. As amostras das estampas pertencem ao acervo da família.

Em um terceiro núcleo, a mostra nos conduz a Expressões Gráficas, onde o visitante perceberá a aproximação de Fayga, já no final dos anos 60, com outras técnicas de trabalho, como serigrafia e litografia. Em Produções Gráficas estão apresentados os cartazes de divulgação das suas exposições desenhados por ela mesma. “Fayga tinha essa curiosidade de imagem impressa, sem preconceito, o que interessava para ela era a multiplicação da imagem, fazer uma proposta visual que possa e tenha caráter, mesmo que multiplicado sobre o papel por qualquer tipo de mídia…, veículo para utilizar as técnicas mais variadas de expressão gráfica”, completa Carlos Martins.

Catálogo

Para esta exposição, um catálogo bilíngue (português e inglês), foi produzido com imagens das obras da Fayga, mostrando sua trajetória, desde os desenhos e gravuras figurativos, de pequeno formato, às xilogravuras e gravuras em metal, como composições abstratas que comprovam sua inesgotável capacidade inventiva, e ainda as serigrafias e litografias, produzidas em maior intensidade a partir dos anos 1970. Textos do curador da exposição, Carlos Martins, e da jornalista, curadora especializada em design e professora Adélia Borges também integram o material.

Fayga Ostrower

Gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, teórica da arte e professora, a polonesa Fayga Ostrower chegou ao Rio de Janeiro em 1934, acompanhada de seus pais e mais três irmãos, a família fugia das perseguições nazistas na Alemanha. Autodidata e mesmo sem possibilidades de frequentar universidades, se tornou uma das personalidades artísticas mais importantes do Brasil no século 20. Inovadora e muito fiel aos seus propósitos e crenças, enfrentou a indústria e os críticos da arte ao enveredar pelo abstracionismo. O esforço lhe valeu a fama e o reconhecimento nacional e internacional, não raro as suas exposições sempre tinham público.

Múltipla em sua produção, tinha uma vocação educacional e intelectual que a levou a publicar livros e a dar cursos ou proferir palestras em várias universidades brasileiras, e também no exterior, como a Spellman College, em Atlanta, EUA, ou na Slade School da Universidade de Londres, Inglaterra. A convite do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, lecionou, por 16 anos, diferentes cursos de história e teoria da arte. Em sua trajetória também se destacam os prêmios: Grande Prêmio Nacional de Gravura da Bienal de São Paulo, 1957, o Grande Prêmio Internacional da Bienal de Veneza, 1958.

A artista morreu em 2001 aos 81 anos. Fayga Ostrower-Imaginação Tangível é toda realizada a partir da própria coleção da Pinacoteca de São Paulo, na sua maioria obras doadas pelos filhos da artista Anna Leonor e Karl Ostrower, e alguns trabalhos do acervo da família. No exterior, obras da artista podem ser vistas em museus da Europa e dos Estados Unidos.

BRADESCO E A CULTURA

Com centenas de projetos patrocinados anualmente, o Bradesco acredita que a cultura é um agente transformador da sociedade. Além do Teatro Bradesco, o banco apoia iniciativas que contribuem para a sustentabilidade de manifestações culturais que acontecem de norte a sul do País, reforçando o seu compromisso com a democratização da arte. São eventos regionais, feiras, exposições, centros culturais, orquestras, musicais e muitos outros. Assim como o Teatro Bradesco, muitas instituições e espaços culturais apoiados pelo banco promoveram ações para que o público possa continuar se entretendo – ainda que virtualmente – durante a pandemia da Covid-19. Em 2020, o banco lançou o Bradesco Cultura, plataforma digital que reúne conteúdo relacionado às iniciativas culturais que contam com o patrocínio da instituição. Visite em cultura.bradesco.

Serviço:

Fayga Ostrower-Imaginação Tangível
Curadoria: Carlos Martins
Estação Pinacoteca – 2° andar
Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia
De quarta a segunda, das 10h às 18h

Período: De 01.02.21 a 31.05.21

Ingressos:

Gratuito, mas a entrada só é permitida com a reserva pelo site www.pinacoteca.org.br.

Visitantes: o público terá a sua temperatura aferida, e quem estiver com temperatura acima de 37,2° e/ou mostrar sintomas e gripe/resfriado deverá buscar ajuda médica e não poderá acessar o museu. O uso de máscara será obrigatório em todos os espaços e durante toda a visita. Não será permitido tirar a máscara em nenhum momento, como por exemplo para fotografias/selfies. Os espaços terão álcool gel para a higienização das mãos, além de uma nova sinalização que indicará o sentido de circulação e o distanciamento mínimo de 1,5m entre pessoas.

 

Mais informações:
Carlos Martins trabalha na área das Artes e da Cultura desde 1978, quando de seu regresso da Grã-Bretanha, onde cursou a Universidade de Edimburgo e a Slade School of Arts, de Londres. Arquiteto e artista plástico, em 1982 inicia no Rio de Janeiro sua colaboração ao IPHAN, na área da museologia, criando o Gabinete de Gravura do MNBA. Responsável por revitalizar o seu acervo, realiza a exposição Introdução ao Conhecimento da Gravura em Metal, itinerante por 12 capitais do país. Em 1983, é curador da Retrospectiva Fayga Ostrower. Como diretor dos Museus Castro Maya, de 1991 a 1995, dedicou-se às reformas necessárias para a reabertura do Museu do Açude, para a Conferência Rio-92. De 1996 a 2006, foi consultor/curador da Coleção Brasiliana/Fundação Estudar, São Paulo, tendo realizado a sua catalogação, além de inúmeras exposições no Brasil e no exterior. De 2007 a 2016 fez parte da equipe de curadores da Pinacoteca de São Paulo, quando realizou, dentre outras, a exposição Gravura em Campo Expandido, Gravura e Modernidade no Brasil, além das retrospectivas de gravura de Marcelo Grassmann, Rossini Perez, Iberê Camargo e Arthur Piza, que recebeu o prêmio da APCA 2016. Como curador independente realizou exposições de grande porte, como O Brasil Redescoberto, Paço Imperial, 1999, A Paisagem Carioca, MAM-RJ, 2000, Facchinetti, CCBB-RJ, 2004, Impressões Originais, CCBB-SP/RJ, 2007, Rio de Imagem, MAR-RJ, 2013, entre outras.

Créditos