Vigília e plantio
Carolina Caycedo dedica sua pesquisa a repercutir o impacto destrutivo na natureza (sobretudo nos rios) exercido por obras de infraestrutura, como barragens e mineradoras. Nos últimos anos, passou a colaborar mais ativamente com uma memória dos movimentos de defesa do meio ambiente, na esperança de que esse conhecimento ajude a interromper ciclos históricos de violência.
A América Latina é o foco desse trabalho, por atingir recordes de genocídio de ativistas ambientais, enquanto também congrega povos originários dotados de saberes sobre a regeneração da terra. Genealogia da luta (2017-2024), obra participante da coletiva “Era uma vez: Visões do Céu e da Terra” homenageia 200 ativistas assassinados nos países da região nos últimos dois anos.
Como ato final de seu trabalho na exposição, Carolina Caycedo junto ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizarão uma vigília no Parque da Luz em memória dessas histórias, seguido de um plantio de árvore na Pina Contemporânea.
Data e horário
13 de abril, domingo
11h
Como participar
Não precisa de inscrição.
No 2º domingo do mês, a entrada é gratuita.
Oficina de Arpilleras com o Movimento de Atingidos por Barragens
Em três encontros, as pessoas participantes irão produzir um grande bordado coletivo e participativo, narrando suas histórias e lutas pessoais simbolicamente.
Desde a década de 1980, o MAB atua denunciando violações de direitos humanos, reivindicando reparações justas e defendendo um modelo energético mais sustentável e democrático. Dentro desse contexto, o bordado se tornou uma ferramenta fundamental de resistência e memória, inspirando-se em práticas como as arpilleras – bordados originados no Chile durante a ditadura militar, criados por mulheres para denunciar repressões e injustiças sociais.
No MAB, o bordado é utilizado especialmente pelas mulheres atingidas, que transformam tecidos em narrativas visuais sobre a perda de territórios, os impactos socioambientais e a resiliência das comunidades. Assim como as arpilleras, os bordados do MAB resgatam histórias silenciadas e servem como instrumentos políticos e pedagógicos, fortalecendo a luta popular e a identidade coletiva.
Datas e horário
13, 14 e 16 de abril
14h
Como participar
Inscreva-se pelo formulário online a partir de 31 de março. 25 vagas.
Sobre Carolina Caycedo
Carolina Caycedo (Londres, 1978) é uma artista multidisciplinar de pais colombianos. Cresceu em Bogotá, onde desenvolveu um profundo interesse por questões de justiça ambiental e social. Graduou-se em Belas Artes pela Universidad de los Andes, na Colômbia, em 1999, e obteve o título de Mestre em Belas Artes pela Universidade do Sul da Califórnia, em 2014. Atualmente residindo em Los Angeles, Caycedo é reconhecida por suas performances, vídeos, livros de artista, esculturas e instalações que exploram temas como sustentabilidade, direitos sobre terras e águas, resistência comunitária e os impactos do extrativismo em ecossistemas e comunidades indígenas. Seu trabalho possui uma dimensão coletiva, envolvendo colaborações com comunidades afetadas por projetos de infraestrutura em larga escala, como a construção de represas e a exploração minerária.
Sobre o MAB
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) é uma organização social brasileira que luta pelos direitos das comunidades impactadas pela construção de barragens e grandes empreendimentos hidrelétricos. Criado na década de 1980, o MAB atua em diversas regiões do país, denunciando violações de direitos humanos, exigindo reparações justas e defendendo um modelo energético mais sustentável e democrático. Uma das formas de resistência e expressão cultural dentro do movimento é o bordado, utilizado como ferramenta de memória, denúncia e fortalecimento coletivo. As mulheres atingidas por barragens, em especial, adotaram o bordado como uma prática de registro das suas vivências e lutas, transformando o tecido em um espaço de narração visual que retrata a perda de territórios, os impactos socioambientais e a resiliência das comunidades. Dessa forma, o bordado se torna não apenas uma manifestação artística, mas também um instrumento político e pedagógico dentro do MAB.
Serviço
Locais: Pina Luz (Praça da Luz, 2, São Paulo — SP.) | Pina Contemporânea (Avenida Tiradentes, 273, Luz, São Paulo — SP.) |