Toda coleção é, antes de tudo, um campo de pesquisa. Os registros que acompanham uma obra ou objeto não são definitivos, refletem o estado da documentação e das pesquisas em determinado momento. Novos documentos surgem, proveniências são ampliadas, atribuições são revistas, exposições são identificadas e relações entre obras, artistas e coleções passam a ser compreendidas de novas formas. A catalogação e a documentação museológica acompanham esse movimento.
Esta atividade online parte da pesquisa como eixo primário estruturante do trabalho em acervos de arte. Buscaremos compreender a catalogação e a documentação museológica para além de sua dimensão técnica, reconhecendo-as como práticas que constroem a produção de narrativas sobre as coleções e influenciam a forma como a história é escrita, revisada e difundida. Nesse percurso, serão apresentados os fundamentos da documentação museológica, as formas de ingresso de obras em acervos, os termos e estrutura dos registros de catalogação em bases de dados e os principais processos envolvidos em sua produção, revisão e atualização.
A partir de estudos de caso, partindo de um acervo de arte, serão discutidas metodologias de pesquisa, diferentes tipos de fontes documentais e estratégias para localizar, revisar e validar informações. Também serão analisados os desafios envolvidos na documentação de acervos e o impacto que decisões como revisão de uma data, a reconstrução de uma proveniência ou a escolha de um termo de indexação, exercem sobre a construção de narrativas sobre as obras.
Participação mediante inscrição pelo formulário. O processo seletivo dará prioridade para profissionais de museus do Estado de São Paulo, priorizando os museus localizados no interior e litoral, pesquisadores, estudantes e demais interessados em acervos de arte.
250 vagas
Data: 30 de setembro, quarta-feira
Horário: 14h
JULIANA MENDONÇA
Juliana Mendonça é pesquisadora na Pinacoteca de São Paulo, onde trabalha com documentação, catalogação, pesquisa do acervo e acompanhamento de projetos expositivos voltados à arte contemporânea e às histórias institucionais. É bacharel em Artes Visuais e mestre em Museologia pela Universidade de São Paulo (USP). Sua pesquisa investiga a recepção e a institucionalização da performance em museus brasileiros entre as décadas de 1960 e 1980, com ênfase nas histórias das exposições, nas políticas de aquisição e nas práticas de documentação relacionadas a obras de arte baseadas no tempo e de caráter efêmero.
Na Pinacoteca, contribuiu para exposições baseadas no acervo, realizou pesquisa de procedência para a exposição “Lygia Clark: Projeto para um Planeta” (2024) e participou da organização do seminário internacional Identidades e Histórias de Vida em Coleções de Museus. Em 2025, publicou o ensaio Entre Templo e Fórum na publicação Pinacoteca de São Paulo: 120 Anos e foi contemplada com uma bolsa de viagem (Travel Grant) para participar da Conferência Anual do CIMAM, realizada em Turim.
Palestra voltada a profissionais de museus, pesquisadores, estudantes e demais interessados em acervos de arte, o curso oferece uma introdução aos processos fundamentais de documentação e catalogação em acervos, situando-os no contexto mais amplo da pesquisa em museus e compreendendo o registro museológico como um documento vivo, aberto revisões e transformações.
A atividade faz parte da iniciativa Programa Conexões Museus SP, criada pelo Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP).