Tipo: Capacitação | Local: On-line

Capacitação: “Greve das Imagens” – Tecnologia, trabalho e sistema da arte

Data Início Capacitação 07 de dezembro de 2021 - Data Término Capacitação 10 de dezembro de 2021

O curso trata das tecnologias contemporâneas a partir de perspectivas que evidenciam materialidades, corpos e mediações. Para isso, o sistema da arte, em especial o museu, será usado como espaço de coletas e experiências. Os quatro encontros tratam do trabalho humano presente no treinamento da chamada Inteligência Artificial; os modos de “ver” na perspectiva computacional; as limitações, escolhas e ausências nos datasets de treinamento de máquinas; e as existências (no sentido de resistências) de modos não hegemônicos de se pensar a tecnologia. Nosso material complementar para as aulas será um conjunto de textos e vídeos. Já nosso material principal virá de ações de escutas que faremos com alguns trabalhadores da Pinacoteca do Estado de São Paulo (guardas, recepcionistas, pessoal do setor de limpeza etc.), a partir de suas relações com a infraestrutura tecnológica do museu.

SERVIÇO

O curso será realizado em formato online via ZOOM. O link de acesso a sala online e demais informações para início do curso serão enviadas com e-mail de confirmação de inscrição.

O aluno deverá usar o mesmo e-mail cadastrado no ato da compra para acessar a sala online, do contrário não será possível realizar o cadastro e acesso à plataforma ZOOM e os recursos disponíveis para transmissão da aula. Eventuais troca de e-mail feitas após a compra deve ser comunicada a organização do curso até 2 dias antes do início do curso.

O curso é online, fornecido no formato síncrono, ou seja, ao vivo. As aulas serão gravadas e disponibilizadas para os alunos regularmente inscritos após a realização curso. A equipe Pina_Cursos compartilhará o link de acesso dos vídeos por e-mail e prazo de acesso.

A inscrição é pessoal e intransferível. Em caso de inscrição-presente, no momento da matrícula o pagante deve incluir os dados do(da) convidado(a) e informar a organização do curso sobre tal inscrição-presente, de modo a evitar possíveis equívocos de cadastro ou de compartilhamento dos conteúdos de estudo.

A utilização de meia entrada é concedida a: estudantes, professores, pessoas com 60 anos ou mais e funcionários de instituições culturais (limite de até 5 funcionários de uma mesma instituição).

Materiais complementares como, bibliografia do curso, PDFs, links de vídeos indicados pelo professor, serão compartilhados através de uma pasta virtual, gerenciada pelo professor e a coordenação do curso. O material ficará acessível por tempo limitado.

Pedidos de cancelamento ou transferência serão aceitos até a véspera de abertura do curso.

Pedidos de cancelamento ou transferência, enviados após início do curso, não serão considerados, visto a necessidade de organização das atividades.

A declaração de frequência será emitida após o término do curso. Os participantes que obtiverem 75% de presença durante o curso, ou seja, logados no momento da transmissão do curso. O acesso aos vídeos das aulas do curso não será considerado na contagem de frequência.

O curso poderá oferecer interprete/tradução em Libras e audiodescrição. Esses recursos de acessibilidade poderão ser solicitados por e-mail até 5 dias antes do início do curso.

DIAS DO CURSO

07, 08, 09 e 10 de dezembro

PREÇO

250 vagas

R$80 inteira

R$72 amigos e patronos da Pina 

R$40 meia entrada

50 vagas gratuitas para professores de escolas públicas e educadores sociais selecionados por ordem de inscrição através do formulário

PROGRAMA DE AULAS

Aula 1 – 07/12/2021

MÁQUINAS COM HUMANOS INTELIGENTES

Atualmente, cerca de 700.000 pessoas realizam trabalhos que treinam a Inteligência Artificial (IA) na plataforma Amazon Mechanical Turk, mantida pela empresa estadunidense Amazon. Essa é só uma de muitas plataformas que a partir de trabalho remoto viabiliza a “mágica” da automação na IA. A partir de aproximações com esses trabalhadores, vamos entender suas rotinas, desejos e o futuro do próprio trabalho no capitalismo contemporâneo. Precarização das relações profissionais, questões geopolíticas, desmobilização do precariado serão algumas das questões que vamos relacionar com o processo de treinamento de máquinas. Vamos também pensar em possíveis relações entre a invisibilidade desses trabalhadores remotos da IA com a dos funcionários da Pinacoteca responsáveis pela infraestrutura da instituição.

Ponto de escuta com trabalhadores da Pinacoteca a partir das questões:

O que é ser trabalhador (no Brasil)?

Aula 2 – 08/12/2021

VISÃO COMPUTACIONAL E GESTÃO DA VIOLÊNCIA

Um conjunto de considerações vindas de trabalhadores da Pinacoteca sobre o processo de ver e classificar as coisas será o índice para discutirmos o subcampo da IA conhecido como visão computacional, cada vez mais presente nas infraestruturas tecnológicas contemporâneas como em sistemas de reconhecimento facial e no carro autônomo. O que e como a IA “vê”? Que modos ela viabiliza? Tendo como material algumas imagens de obras de arte contemporânea e experiências empíricas, vamos analisar o que é reforçado e apagado nas interpretações da visão computacional. E também pensarmos sobre a falibilidade inerente ao uso comercial da IA e do aprendizado de máquina para catalogar o mundo.

Ponto de escuta com trabalhadores da Pinacoteca a partir da questão:

O que eu quero ver com mais frequência?

Aula 3 – 09/12/2021

ACERVOS E DATASETS: PARA E SOBRE QUEM?

Vamos investigar as imagens e suas descrições contidas em conjuntos de dados de treinamento de máquina, para além de seus conteúdos visuais mais aparentes. Primeiro, a intenção é entender como esses materiais são continuações de sistematizações e controles já bastante evidentes em imagens como mapas, desenhos e pinturas históricas. Finalmente, códigos de programação irão nos ajudar a mostrar como a “visão” humano-computador é muito mais extração do que compreensão ampla de cenas e situações.

Ponto de escuta com trabalhadores da Pinacoteca a partir da questão:

O que este museu escolhe para mostrar?

Aula 4 – 10/12/2021

EXISTÊNCIAS: AFETANDO TECNOLOGIAS

A promessa inicial da computação está sendo cumprida principalmente no interesse de grupos mais poderosos e privilegiados. Tendo como ponto inicial a frase de Audre Lorde de que “as ferramentas do mestre nunca desmontarão a casa do mestre”, vamos discutir conceitos e metodologias possíveis para desmontar clichês e construir entendimentos coletivos de ferramentas tecnológicas. Para isso, vamos pensar no potencial de atuação de uma arte contemporânea cada vez mais desmaterializada e, assim, capaz de se infiltrar em contextos opacos e intricados da IA. Redes e trocas serão estudadas a partir das experiências de Silvana Bahia, diretora de Programas do Olabi e à frente da PretaLab, iniciativa focada em estimular mulheres negras e indígenas nas tecnologias.

Ponto de escuta com trabalhadores da Pinacoteca a partir da questão:

O que devo recusar na tecnologia?

SOBRE O PROFESSOR

Bruno Moreschi é pesquisador e artista multidisciplinar. Pos-doutorando da FAUUSP, doutor em Artes pela Unicamp, com bolsa da Capes, e passagem na University of Arts of Helsinki. Suas investigações estão relacionados à desconstrução de sistemas e à decodificação de seus procedimentos e práticas sociais – incluindo aqui (mas não só) experiências no sistema das artes visuais e seus espaços. Atualmente realiza experiências no campo da Inteligência Artificial, com interesse em testar metodologias e aproximações de modo a evidenciar opacidades como o trabalho humano envolvido no seu treinamento; e os dados e mediações que viabilizam seus datasets. Projetos reconhecidos por bolsas, exposições e instituições como ZKM, Van Abbemuseum, 33ª Bienal de São Paulo, Prêmio Rumos, Funarte e Fapesp. Atualmente é pesquisador do projeto Histories of AI: Genealogy of Power (Universidade de Cambridge), pesquisador sênior do Center for Arts, Design and Social Research (CAD+SR) e um dos coordenadores do Grupo de Arte e Inteligência Artificial (GAIA /C4AI/Inova USP). Mais em: https://brunomoreschi.com/.

SOBRE O PALESTRANTE

Silvana Bahia é codiretora executiva do Olabi, coordenadora da PretaLab – iniciativa de estímulo às mulheres negras nas tecnologias e inovação. Mestre em cultura e territorialidades pela UFF, pesquisadora associada do grupo de arte e Inteligência Artificial da USP e do grupo de pesquisa em Políticas e Economia da Informação e Comunicação da UFRJ. Em 2021 recebeu o prêmio Protagonista Brasil, País Digital concedido pelo Movimento Brasil, País Digital.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

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