O curso Histórias da Arte Brasileira a partir do acervo da Pinacoteca propõe uma leitura crítica e sensível das produções artísticas do Brasil a partir da exposição “Pinacoteca: Acervo”, tomando como eixo seus quatro núcleos curatoriais:
- Territórios da Arte;
- Corpo e Território;
- Corpo individual/Corpo coletivo;
- Instalações.
Organizado em quatro módulos independentes e complementares, o curso articula aulas panorâmicas, leituras aprofundadas de obras e encontros de síntese e imaginação crítica, criando um espaço de reflexão sobre as múltiplas narrativas presentes no acervo da Pinacoteca.
Ao reunir artistas, pesquisadores e convidados externos em torno de obras específicas, o curso busca ampliar as possibilidades de leitura da história da arte brasileira, colocando em diálogo diferentes temporalidades, linguagens, experiências e perspectivas críticas. Mais do que apresentar um panorama histórico, os módulos compreendem o acervo como um campo vivo de disputas, memórias e interpretações, estimulando o público a construir novas relações entre arte, sociedade e pensamento contemporâneo.
PÚBLICO-ALVO: pessoas professoras, pesquisadoras, artistas e público geral interessado em arte
FORMATO: híbrido (online ou presencial)
Sábados:
- 12 de setembro | 11h às 13h
- 19 e 26 de setembro | 11h às 13h e 14h às 16h
- 3 de outubro | 11h às 13h e 14h às 16h
Inteira: R$ 700,00
Meia: R$ 350,00 (meia para professores, estudantes e pessoas acima de 60 anos)
Amigos e patronos da Pina: R$ 455,00
5 x de R$140,00*
*taxa de juros de 2,45%, incidindo a partir da 2ª parcela.
Por meio do site parceiro Inti de 25 de agosto até 10 de setembro.
O primeiro módulo propõe uma investigação sobre as maneiras pelas quais artistas constroem imagens de si, do outro e dos mundos que habitam, tomando a representação como campo de disputa simbólica, imaginação e memória. Partindo do núcleo Territórios da Arte da exposição Pinacoteca: Acervo, as aulas articulam diferentes tempos históricos, linguagens e perspectivas para refletir sobre identidade, autorrepresentação, visibilidade e pertencimento na arte brasileira. Entre uma aula inaugural, que percorre o núcleo curatorial, e uma aula de encerramento, que cria diálogos articulados com outras produções e imaginários, o módulo oferece leituras de obras oferecidas por pesquisadores e críticos convidados e curadores da Pinacoteca As obras escolhidas funcionam como pontos de partida para pensar como os artistas negociam visibilidade, ausência, desejo, ancestralidade e imaginação, construindo um panorama plural da arte brasileira a partir das múltiplas formas de “se ver” e “dar-se a ver”.
12 de setembro
Acervo: Territórios da arte | 12 de setembro | 11h às 13h | com Yuri Quevedo
A aula inaugural apresenta o núcleo Territórios da arte, explorando como diferentes artistas tomam a própria prática, os modos de fazer e os vocabulários da arte como objeto de investigação. A partir das seis salas que compõem o núcleo, o encontro percorre questões relacionadas à representação e ao autorretrato, aos espaços e instrumentos do fazer artístico, às relações entre arte e outros campos, à diversidade de materiais e procedimentos, aos elementos da linguagem visual — como ponto, linha, plano e cor — e às diferentes formas de figurar o corpo e o outro. O percurso propõe, assim, uma introdução às perguntas que atravessam o núcleo sobre o que é a arte, como ela é produzida e de que maneiras as obras podem constituir campos próprios de conhecimento.
19 de setembro
No antiquário eu negociei o tempo, 2018 – Castiel Vitorino | 11h às 13h | com Igor Simões
A partir do conjunto de cinco fotografias No antiquário eu negociei o tempo (2018), a aula propõe uma reflexão sobre as relações entre autorrepresentação, memória e construção de imagens de si. A leitura da obra parte do retrato como espaço de elaboração da própria imagem e investiga como o artista mobiliza fotografia, tempo e memória para produzir outras formas de se ver e de se apresentar, tensionando ideias de identidade, presença e representação.
Procuro-me (Me busco, Wanted by Myself, Ich such mich), 2003 – Lenora de Barros | com Ana Maia
A partir de Procuro-me (2003), a aula investiga a autorrepresentação como uma experiência de busca, multiplicação e estranhamento da própria imagem. Apropriando-se da linguagem dos cartazes de “procura-se”, a artista transforma a expressão em “procuro-me”, colocando em jogo diferentes versões de si mesma e deslocando a ideia de identidade fixa. As fotografias, que apresentam variações de sua aparência e expressão, permitem discutir como a imagem de si é construída, reproduzida e reconhecida, ao mesmo tempo em que tensionam as relações entre corpo, linguagem e representação. A leitura também considera o caráter performativo da obra e seus desdobramentos em diferentes meios.
26 de setembro
Menino com bandolim, entre 1893 e 1894 – Belmiro de Almeida | com Samuel Mendes Vieira
A partir de Menino com bandolim, de Belmiro de Almeida, a aula propõe uma reflexão sobre as formas de representação de sujeitos e personagens na pintura brasileira do final do século XIX. A obra, realizada durante o período em que o artista esteve na Itália, integra um conjunto de pinturas dedicado a cenas do cotidiano e permite observar como a figura humana é construída por meio da pose, da indumentária, do espaço e dos elementos que caracterizam o personagem. Em diálogo com a tradição acadêmica da formação de Belmiro e com as transformações que atravessavam sua pintura, a leitura investiga como representar alguém também implica produzir uma determinada imagem social, colocando em questão quem é representado, como é visto e quais valores e imaginários são mobilizados nessa construção.
Bonecas Karajás, Mulheres Iny (Karajá)| 14h às 16h | com Camila Moraes
A partir das bonecas ritxoko produzidas por mulheres Iny (Karajá), a aula propõe ampliar a ideia de autorrepresentação para uma dimensão coletiva, observando como esses objetos articulam memória, identidade, cosmologia e modos de vida. Modeladas em cerâmica e decoradas com grafismos, as ritxoko representam diferentes aspectos da vida Iny, incluindo cenas do cotidiano, relações familiares, ciclos rituais, mitos e elementos da fauna, constituindo importantes formas de transmissão de conhecimentos entre gerações. A partir de sua presença no acervo, a aula também aborda o fazer das mulheres ceramistas como prática artística e como saber transmitido, refletindo sobre autoria, tradição e singularidade e sobre como uma comunidade pode produzir imagens de si, reconhecer-se e comunicar seus valores por meio de seus próprios modos de fazer e representar.
3 de outubro
Autorretrato, 1908, Arthur Timótheo | com Renato Menezes
A partir de Autorretrato (1908), de Arthur Timótheo da Costa, a aula investiga o gênero como espaço de construção e afirmação da própria imagem, considerando também o lugar social do artista negro no campo artístico brasileiro do início do século XX. A obra permite observar como Timótheo se apresenta como sujeito e como artista, mobilizando elementos da tradição acadêmica da pintura e recursos de composição e iluminação para construir sua presença na tela. A leitura propõe, assim, pensar o autorretrato para além do registro fisionômico, como uma escolha sobre como ser visto, que imagem de si produzir e que lugar reivindicar no campo da arte, retomando e aprofundando as questões de representação, visibilidade e autorrepresentação que atravessam o módulo.
Acervo imaginário: Territórios da arte | 14h às 16h | com Pollyana Quintella
Retomando as questões e discussões propostas ao longo do módulo, a aula propõe um exercício de imaginação a partir do núcleo Territórios da arte, deslocando o olhar para outras coleções, linguagens e formas de pensamento contemporâneo. A partir de aproximações entre obras, artistas e repertórios diversos, o encontro investiga como diferentes escolhas e relações poderiam produzir outras narrativas para o acervo, colocando em questão os modos de organizar, interpretar e contar histórias da arte. A aula poderá contar com a participação de artistas e convidados, transformando-se, a depender da proposta, em um espaço de conversa e debate sobre as possibilidades de imaginar outros acervos e outras histórias da arte.
O curso será realizado em formato híbrido, com atividades presenciais no edifício Pina Luz, com transmissão online pelo YouTube para pessoas inscritas.
O Módulo I será realizado aos sábados, de 12 de setembro a 3 de outubro de 2026. A aula inaugural acontece em 12/9, das 11h às 13h. Nos dias 19/9, 26/9 e 3/10, haverá atividades das 11h às 13h e das 14h às 16h.
Mais informações pelo e-mail cursos@pinacoteca.org.br.
O curso poderá oferecer interprete em Libras e audiodescrição. Esses recursos de acessibilidade poderão ser solicitados por email até 5 dias antes do início do curso.
Vagas afirmativas:
- 10 vagas para alunos ali:leste
- 40 vagas para professores de escolas públicas e educadores sociais
- 30 vagas afirmativas (pessoas pretas, pardas, amarelas, indígenas, ciganas, trans e com deficiência)
Seleção por ordem de inscrição através do formulário Microsoft on-line disponível neste link.