A Sala de Vídeo do edifício Pina Luz exibe a videoinstalação Urubu (2021), de Luiz Roque (Cachoeira do Sul, 1979).
Durante a pandemia do Covid-19, a cidade ficou silenciosa e muito mais vazia do que de costume. De dentro das casas, as pessoas experienciaram o confinamento e as incertezas diante de uma doença que tirou tantas vidas. Enquanto isso, um urubu voa por entre os prédios, carregando metáforas de liberdade e de morte, na videoinstalação.
Da janela do seu apartamento, no centro de São Paulo, Luiz Roque captura o filme em Super 8 e sem som. A câmera acompanha o movimento da ave, enquanto o tempo parece suspenso. Feita quase sem cortes, a edição reforça a ideia de um ciclo de vida e morte que não se conclui. O silêncio que atravessa o filme não é apenas a ausência de som, mas dita a atmosfera do tempo, anunciando a transformação de um mundo. Diante das janelas fechadas e da cidade esvaziada, o silêncio perguntar: o que resta? Será que ainda há vida lá fora?
Assim, na figura do urubu, Roque ressignifica o imaginário da morte. O que antes anunciava o fim torna-se símbolo da metamorfose, que faz emergir, para além do agouro, a própria condição da vida.
A sala de vídeo no edifício Pina Luz é um espaço dedicado à exibição audiovisual, produção fundamental na arte contemporânea do Brasil.