A Sala de Vídeo do edifício Pina Luz exibe o trabalho Ibirapema (2022), da artista indígena Olinda Tupinambá (Pau Brasil, BA, 1989). A primeira imagem do filme abre-se como um rito. O litoral não é paisagem: é memória em estado de movimento.
Artista indígena dos povos Tupinambá e Pataxó Hã-hã-hãe, Olinda constrói uma prática que não separa tempo, nem linguagem, nem território. Sua obra se move entre ancestralidade e contemporaneidade, como quem recusa fronteiras impostas. Ao entrelaçar jornalismo, documentário, cinema e animação cultural, ela cria fissuras no discurso dominante e faz emergir saberes originários como forças vivas – não como passado, mas como continuidade. Sua produção não pede espaço; ela o reivindica, o tensiona e o reinventa.
Em Ibirapema, Olinda não representa, mas atravessa. Transmuta-se em onça, corpo em passagem, corpo em potência, para habitar encontros que desorganizam certezas e reencantam sistemas de crença. A onça não é metáfora: é método, é presença, é forma de existir entre mundos.
O filme se apresenta, assim, como um campo de forças, uma meditação que é também confronto. Entre memória e presença, entre apagamento e insurgência, Ibirapema nos convoca a reconhecer que o humano não é dado, mas, ao contrário, é constantemente recriado nos encontros, nas fricções, nas persistências; e que há saberes que, mesmo soterrados, nunca deixaram de respirar.
A sala de vídeo no edifício Pina Luz é um espaço dedicado à exibição audiovisual, produção fundamental na arte contemporânea do Brasil.
A obra é comissionada para a exposição Atos Modernos, realizada em parceria entre a Pinacoteca de São Paulo e a Coleção Ivani e Jorge Yunes.
A exibição da obra na Pinacoteca tem curadoria de Ana Paula Lopes.
Local: edifício Pina Luz (Sala de Vídeo)
Data: 11 de abril de 2026 até 27 de dezembro de 2026
Endereço: Praça da Luz, 2, São Paulo — SP.
Horário de funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h).
