“Sara Ramo: A fúria dos restos vivos” reúne cerca de 90 trabalhos de Sara Ramo (Madri, 1975), entre vídeos, pinturas, instalações, fotografias, objetos tridimensionais e colagens. A maior exposição da artista no Brasil apresenta obras produzidas ao longo de sua carreira e obras criadas especialmente para a ocasião, com trabalhos pensados e finalizados diretamente no espaço expositivo.
A artista hispano-brasileira trabalha com aquilo que costuma passar despercebido: coisas perdidas, sem par, quebradas, acumuladas ou descartadas, objetos que perderam a função e parecem não ter mais utilidade. Em sua obra, as coisas nunca são uma coisa só. O que parece real acaba se revelando fantasioso, e o que parece fantasia se mostra uma leitura aguda do real. O título da exposição remete justamente à energia contida nesses “restos”.
A mostra convida o público à imersão, propondo a cada pessoa traçar um caminho, sempre se conectando aos estranhos objetos ao seu redor.
Entre as instalações de grande escala, está Sombra vulto véspera causa vigília, que ganha nova versão na Pinacoteca. Nela, visitantes entram em um ambiente escuro e se deparam com formas que vão se revelando aos poucos.
Já Um bosque, uma mata nasce dos próprios restos da Pinacoteca. Ao longo dos últimos dois anos, foram recolhidos objetos, equipamentos obsoletos e vestígios de outras exposições do museu, que agora se reorganizam em uma paisagem que o público pode percorrer.
Além de cinco trabalhos audiovisuais, como Os ajudantes, estão presentes trabalhos como Cartas na mesa 5 e Cartas na mesa 10, feitos de tecido, papel, pigmento, tinta e costuras.
No percurso expositivo, que inclui também um corredor tomado por pilhas de doces, há uma lista de obras que se apresenta como um grande poema, escrito de próprio punho pela artista diretamente na parede do espaço.
Sara Ramo Affonso nasceu em Madri, Espanha, em 1975, filha de pai espanhol e mãe brasileira, e viveu a infância entre Araxá (MG) e a capital espanhola. Formou-se em artes visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais, após iniciar os estudos na Universidade Complutense de Madri, e concluiu mestrado em artes visuais também pela UFMG. Em 2003, venceu a primeira edição da Bolsa do Museu de Arte da Pampulha. Trabalha com instalação, vídeo, escultura, colagem e, mais recentemente, pintura, apropriando-se de objetos cotidianos e deslocando-os de seus contextos originais para investigar o momento em que as coisas mudam de sentido. Participou da 53ª Bienal de Veneza (2009) e da 29ª e 33ª Bienal de São Paulo (2010 e 2018), entre outras mostras internacionais. Sua obra integra acervos importantes, como o da Pinacoteca de São Paulo, Instituto Inhotim, MAM Rio e Museo Reina Sofía de Madri.
Local: edifício Pina Estação (4º andar)
Data: de 7 de novembro de 2026 a 18 de abril de 2027
Endereço: Largo General Osório, 66, Santa Efigênia
Horário de funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.