“Hyundai Translocal Series: Via Satélite – Diálogos com Nam June Paik – Charlotte Moorman e Vivian Caccuri” celebra um dos nomes mais importantes da arte contemporânea mundial na segunda metade do século 20, o sul-coreano Nam June Paik (1932-2006), considerado o pai da videoarte, pioneiro no uso da televisão e do vídeo como meio artístico e figura central na fusão entre arte, tecnologia e comunicação de massa.
A exposição coloca Paik em diálogo com a artista americana Charlotte Moorman (1933-1991), violoncelista e artista performática que colaborou com Paik em diversos trabalhos durante décadas, e a brasileira Vivian Caccuri (1986), consagrada por investigar o som em suas instalações e performances como meio para reorganizar a percepção e tensionar experiências cotidianas.
Esta é a primeira de duas exposições que a Pinacoteca dedicará ao projeto. Em 28 de novembro, abre a segunda mostra na Grande Galeria, também na Pina Contemporânea: “Hyundai Translocal Series: Via Satélite – Diálogos com Nam June Paik – biarritzzz, Christine Sun Kim, Jane Jin Kaisen e Vivian Caccuri”.
OBRAS DESTAQUES
Uma das obras exibidas na Galeria Praça é a famosa TV Cello (1971), uma escultura-vídeo de Nam June Paik concebida para ser tocada por Charlotte Moorman. A obra reúne três televisores de diferentes dimensões, cordas, voluta, cravelhas, fios e circuitos eletrônicos, integrados ao instrumento e protegidos por uma película de acrílico transparente que funciona como uma espécie de pele.
Já Vivian Caccuri cria uma obra inédita para a exposição da Pinacoteca, Medusa e Clepsidra (2026), uma instalação sonora que transforma em matéria e em som o fluxo sanguíneo; uma matéria que, embora faça parte de nossa experiência corporal, permanece inaudível, exceto, segundo a filosofia budista, em estados elevados de meditação.
NAM JUNE PAIK (Seul, Coreia do Sul, 1932 – Miami, EUA, 2006)
Foi um artista visual, considerado o fundador da videoarte. Estudou História da Arte e Música na Universidade de Tóquio e, depois, na Alemanha, onde conheceu John Cage e passou a integrar o movimento Fluxus. Em 1963, na mostra “Exposition of Music-Electronic Television”, em Wuppertal, usou televisores manipulados como meio artístico pela primeira vez. Mudou-se para Nova York em 1964, onde iniciou sua parceria histórica com a violoncelista Charlotte Moorman e, com o engenheiro Shuya Abe, criou o Paik-Abe Video Synthesizer (1969). Autor de obras como TV Buddha, TV Garden e Global Groove, também organizou transmissões pioneiras via satélite, como Good Morning, Mr. Orwell (1984). Recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Veneza (1993) e teve retrospectivas no Whitney Museum (1982) e no Guggenheim (2000). Esteve no Brasil em 1975, na 13ª Bienal de São Paulo, e voltou a expor no país em diversas ocasiões, incluindo uma retrospectiva no Videobrasil de 1996.
MADELINE CHARLOTTE (Little Rock, EUA, 1933 – Nova York, EUA, 1991)
Foi violoncelista e artista performática norte-americana, conhecida como “Joana d’Arc da Nova Música”. Figura central da vanguarda nova-iorquina, fundou o Annual New York Avant-Garde Festival. Após atuar na Orquestra Sinfônica Americana, dedicou-se à música experimental e à performance. Em 1964, conheceu Nam June Paik, com quem estabeleceu uma parceria fundamental, criando obras que articulavam música, corpo, vídeo e tecnologia, como TV Bra for Living Sculpture (1969) e TV Cello (1971). Em 1967, durante a apresentação de Opera Sextronique, de Paik, no Film-Makers’ Cinematheque, em Nova York, Moorman foi retirada violentamente do palco pela polícia e presa por atentado ao pudor, tornando-se conhecida como Topless Cellist. O episódio tornou-se emblemático por tensionar as relações entre arte, corpo, sexualidade e censura. Ao longo de sua trajetória, colaborou com artistas como Yoko Ono, John Cage, Joseph Beuys, Carolee Schneemann e Wolf Vostell. Diagnosticada com câncer de mama na década de 1970, continuou a se apresentar até sua morte, em 1991, aos 57 anos.
SOBRE VIVIAN CACCURI (São Paulo, 1986)
É uma artista visual brasileira que vive e trabalha no Rio de Janeiro, e que usa o som como principal meio de trabalho, investigando os condicionamentos históricos e sociais que separam “música” de “ruído”. Formada em Artes Visuais pela Unesp, com mestrado pela UFRJ e pesquisa na Universidade de Princeton, é autora do livro “O Que Faço É Música” (2012), vencedor do Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música. Destaca-se por sua série de “Soundsystems” — reconstruções de caixas de som de baile funk em materiais como vidro espelhado (Odebrecht SoundSystem, 2016) e rapadura de açúcar (Sesmaria Soundsystem, 2019) —, além de uma extensa pesquisa sobre o zumbido do mosquito como tema sonoro e histórico. Participou da 58ª Bienal de Veneza (2019), da 32ª Bienal de São Paulo (2016) e recebeu o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (2011). Suas obras integram o acervo da Pinacoteca de São Paulo e de outras instituições, como Masp e MAR.
A exposição é coorganizada com o Nam June Paik Art Center, de Yongin, da Coreia do Sul, faz parte do projeto Hyundai Translocal Series, iniciativa da Hyundai Motor lançada em 2025 que fomenta colaborações entre instituições de arte da Coreia do Sul e de todo o mundo.
O Nam June Paik Art Center foi inaugurado em outubro de 2008, em Yongin, na província de Gyeonggi-do (Coreia do Sul), na rua batizada de Paiknamjune-ro em sua homenagem. O projeto nasceu ainda em vida do artista: em 2001, ele próprio discutiu sua criação com o governo local, e o batizou como “a casa onde Nam June Paik continua vivo”. O edifício, com fachada de vidro refletivo que remete a um piano de cauda, foi projetado pelas arquitetas alemãs Kirsten Schemel e Marina Stankovic. É a única instituição do mundo dedicada exclusivamente ao artista, reunindo 283 instalações em vídeo e desenhos, além de um arquivo com 2.775 fitas de vídeo e materiais de seu estúdio em Nova York. Além de exposições permanentes e temporárias sobre sua obra, o centro promove pesquisa acadêmica e simpósios internacionais, funcionando como base para expandir sua herança artística para novos discursos sobre arte, mídia e comunicação.
Há mais de uma década, a Hyundai Motor Company vem aprofundando suas parcerias com museus e organizações culturais em todo o mundo, incluindo a Tate, o Los Angeles County Museum of Art (LACMA), o Whitney Museum of American Art e o Pavilhão Coreano na Bienal de Veneza. A Hyundai Translocal Series é uma nova iniciativa de parceria que tem como base fomentar diálogos e colaborações entre instituições de arte da Coreia e de todo o mundo. As iniciativas de arte da própria Hyundai Motor incluem programas de chamada aberta, como o VH AWARD, o Hyundai Blue Prize+ e o Artlab Editorial, plataforma digital dedicada à escrita sobre arte por vozes transnacionais. Essas colaborações contínuas abraçam as complexidades do cenário cultural ao explorar novas ideias e perspectivas dentro e além do ecossistema da arte.
Fundada em 1967, a Hyundai Motor Company está presente em mais de 200 países com cerca de 120 mil funcionários dedicados a enfrentar desafios de mobilidade em todo o mundo. Com base na visão de marca “Progresso para a Humanidade”, a Hyundai Motor está acelerando sua transformação em um provedor de soluções de mobilidade inteligente. A empresa investe em tecnologias avançadas, como robótica e Mobilidade Aérea Avançada (AAM) para trazer soluções revolucionárias, enquanto busca por inovação aberta para desenvolver futuros serviços de mobilidade. À procura de um futuro sustentável para o mundo, a Hyundai continuará empregando seus esforços para introduzir veículos de emissão zero equipados com a mais alta tecnologia em eletrificação, liderando a indústria de células de combustível de hidrogênio.
Autoclassificação indicativa: 12 anos
Em cartaz: de 17 de outubro de 2026 a 14 de março de 2027
Local: edifício Pina Contemporânea (Grande Galeria – Térreo)
Endereço: Avenida Tiradentes, 273, Luz, São Paulo — SP.
Horário de funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
