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Postagem: Mario Flores fala sobre a obra Wazaká, presente na exposição “Macunaíma é Duwid”
Uma das 100 obras presentes na exposição coletiva “Macunaíma é Duwid” é Wazaká, quadro que integra uma série de três peças e apresenta, ao primeiro ver, dois indígenas debaixo de uma grande árvore. O quadro, no entanto, é além. Está contando uma história. Mario Flores, artista plástico indígena do povo Taurepan, fala sobre sua obra e o que ela representa.

Detalhe da obra “Wazaká”, da série Makunaimas, 2026. Mario Flores Taurepang. Foto: Levi Fanan (direitos reservados).
“Meu trabalho nasce da nossa memória, da história contada pelos mais velhos e da relação profunda entre os seres humanos, a natureza e o espírito. Esta obra não é apenas uma imagem, ela representa uma história antiga, que fala sobre Makina’imü, seu irmão Xigü e o tempo da criação.
Makina’imü não é apenas um personagem. Ele é um ser ancestral presente na história dos povos Taurepan, Makuxi, Arekuna e Wapixana. Ela ensina, transforma e provoca reflexão. Os Makunaimas eram seres fortes espirituais e ligados à natureza. Eles não eram perfeitos: erravam, aprendiam, criavam e destruíam. Por isso, eles se parecem muito com os seres humanos.

Detalhe da obra “Wazaká”, da série Makunaimas, 2026. Mario Flores Taurepang. Foto: Levi Fanan (direitos reservados).
Na história, quando a árvore da vida Wazaká foi derrubada, houve dor e choque, mas desse acontecimento nasceram os rios, os alimentos e a vida como a conhecemos hoje. O que parecia destruição se tornou um benefício para a humanidade. Ao trazer Makunaíma para esta obra, não estou falando sobre o passado. Estou falando do presente e do respeito a natureza, da nossa identidade e da luta para manter viva a nossa cultura.

“Wazaká”, da série Makunaimas, 2026. Mario Flores Taurepang. Acrílico sobre tela, 177 x 137 cm. Foto: Jorge Macêdo (direitos reservados).
Sobre “Macunaíma é Duwid”
A exposição coletiva revisita criticamente a obra Macunaíma – o herói sem nenhum caráter, de Mário de Andrade, a partir de um conjunto artístico e documental do modernismo brasileiro, em diálogo com produções de artistas indígenas contemporâneos.
Entre pinturas, gravuras, esculturas e documentos, a mostra conta com trabalhos de artistas e pensadores dos povos do norte do Brasil, integrantes das etnias Wapichana, Makuxi, Tauperan, Akawaio e Patamona.
- Confira o catálogo de “Macunaíma é Duwid”, com imagens de obras e textos de Gustavo Caboco, curador, Paula Berbert, Arawak Wapishana e Benilda Kadiwéu, além de uma conversa entre Roseane Cadete e Nádia Farage.
- Faça um tour virtual pela exposição.
A exposição está em cartaz no edifício Pina Estação, até 13 de setembro de 2026. Saiba mais e visite!
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Quem escreveu:
Autor da Postagem: Pina
Equipe Pinacoteca