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Blog da Pina

Postagem: Conhecer para restaurar

Publicado em 16 de abril de 2026

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: Conservação e restauro

Por meio de parcerias institucionais, entre elas a colaboração com o Departamento de Física da USP (IFUSP), que já se estende por quase duas décadas, a equipe de Conservação e Restauro da Pinacoteca tem buscado contribuir para o avanço das pesquisas no campo da preservação do patrimônio cultural brasileiro. Ao mesmo tempo, atua na salvaguarda deste importante acervo para as gerações futuras.

A restauração de obras de arte é um processo complexo, que envolve princípios, técnicas e procedimentos voltados à preservação da integridade das peças. Para isso, é fundamental adotar uma abordagem interdisciplinar, que mescle saberes técnicos, artísticos e científicos.

Nesse contexto, o uso de técnicas como a espectroscopia e o imageamento permitem aprofundar o conhecimento sobre os materiais e os processos empregados pelos artistas. No caso das pinturas, por exemplo, essas técnicas auxiliam na identificação de pigmentos, aglutinantes e da construção da camada pictórica, muitas vezes composta por camadas subjacentes, não visíveis a olho nu.

Análise da pintura L’Heure du Goûter (A hora do prazer) de Virgílio Maurício.

Essas ferramentas científicas também desempenham um papel importante na avaliação do estado de conservação das obras. Elas possibilitam identificar, com maior precisão, processos como a oxidação de vernizes, áreas de dano e degradação, repintes e intervenções anteriores. Essas informações são fundamentais para orientar a escolha dos tratamentos mais adequados, respeitando os princípios éticos da restauração.

Considerando a importância dessas técnicas para ampliar o conhecimento sobre as obras e orientar nas tomadas de decisões na etapa de restauração, em janeiro de 2025 a equipe do Laboratório de Arqueometria e Ciências Aplicadas ao Patrimônio Cultural (LACAPC), do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP), realizou análises em três pinturas do acervo da Pinacoteca: PINA02597, L’Heure du Goûter (A hora do prazer), de Virgílio Maurício; e PINA07329, América, e PINA07330, África, de Stephan Kessler.

Detalhe de área da pintura América, Stephan Kessler, representando um animal (ema) realizada por análise de raios-X. Foto: divulgação.

Como as obras estavam na exposição de longa duração do acervo, e com o objetivo de tornar esse processo mais acessível ao público, optou-se por realizar as análises diretamente na sala expositiva. Durante a maior parte do tempo, os visitantes puderam visualizar os procedimentos, aproximando-se das práticas de conservação e restauro e ampliando a compreensão sobre os bastidores do trabalho museológico.

Equipe do Laboratório de Arqueometria e Ciências Aplicadas ao Patrimônio Cultural. Foto: divulgação.

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Quem escreveu:

Autor da Postagem: Mariana Nascimento Agostinho

Mariana Nascimento Agostinho é conservadora restauradora de pintura na Pinacoteca, com mais de 10 anos de experiência na área. Graduada em Pintura e em Conservação e Restauro pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, atuou em empresas especializadas no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Porto (Portugal). Integra a equipe da Pinacoteca há seis anos, onde desenvolve atividades voltadas à preservação do acervo. Atualmente, dedica-se à especialização em práticas sustentáveis, conduzindo pesquisas relacionadas a essa temática dentro da instituição.

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