Clicando em "Aceito todos os Cookies" ou continuar a navegar no site, você concorda com o
armazenamento de cookies no seu dispositivo para melhorar a experiência e navegação no site.
Consulte a Política de Privacidade para obter mais informações.

Blog da Pina

Postagem: Conheça novas obras do acervo da Pinacoteca – Parte 2

Publicado em 27 de outubro de 2026

-

: Por dentro da Pina

Todos os anos novas obras passam a integrar o acervo da Pinacoteca, ampliando as possibilidades de diálogo entre passado e presente. A constante transformação e crescimento no acervo impulsiona o museu a oferecer uma visão dinâmica da história da arte brasileira, articulando entre diferentes épocas, meios e linguagens.

Cada nova aquisição traz outras perspectivas e convida a Pina e nossos públicos a imaginarem futuros possíveis.

A seguir, descubra duas obras que passaram a integrar nosso acervo recentemente e conheça um pouco sobre as artistas!

Madeleine Colaço, Cobri Portela de Flores, década de 1970

Detalhe de “Cobri Portella de Flores”, de Madeleine Colaço, 1970. Foto: Isabella Matheus

Cobri Portela de Flores é uma tapeçaria bordada em lã sobre talagarça. Além de levar o nome de uma inscrição que se encontra no alto da tapeçaria, a obra representa um cortejo carnavalesco da tradicional escola de samba cujas cores, azul e branco, predominam em sua paleta. Nela, vemos todos os elementos icônicos de uma agremiação: o malandro de camisa listrada, os pandeiristas, os foliões carregando adereços nas mãos, as baianas com saias rodadas dão um ritmo à composição que responde, em alguma medida, ao modo através do qual a artista transforma sua forma de bordar.

Foto: Isabella Matheus

Cobri Portella de Flores, década de 1970
tapeçaria bordada em lã sobre talagarça
97,6 x 194,7 cm

Madeleine Colaço (Tânger, Marrocos, 1907 — Rio de Janeiro, RJ, 2001) passou sua juventude entre Paris e Londres, em 1925 voltou para sua cidade natal e se formou na escola de tapeçaria do Palácio Kasbah. Em 1928, se transfere para Lisboa e vem para o Brasil em 1940, onde passa o resto da vida.

Sua vivência no Brasil e seu interesse pela música popular a levou a criar o que, posteriormente ficou conhecido como ponto brasileiro, baseado na cadência do samba, como se cada ponto correspondesse à uma batida de percussão, incorporando neles algumas notas do improviso e da aleatoriedade próprios do gênero.

Assim, Cobri Portela de Flores transforma em imagem os elementos constitutivos da própria técnica: samba e bordado informam-se respectivamente.

Thereza Simões, Minhas primas, 1968

Detalhe de “Minhas primas”, 1968, Thereza Simões. Foto: Isabella Matheus

Thereza Simões (Rio de Janeiro, RJ, 1941) foi uma das poucas mulheres a integrar a primeira geração do movimento artístico Nova Figuração Brasileira, participando de marcos como a exposição Opinião 66, o movimento artístico Nova Objetividade e a censurada 2ª Bienal da Bahia, em 1968.

Entre a Nova Figuração e a emergência do conceitualismo (movimento em que a o conceito por trás da obra é mais importante do que o objeto ou a técnica tradicional), a trajetória da artista ocupa um lugar decisivo, e ainda sub-reconhecido, na arte dos anos 1960.

É nesse contexto que surge Minhas Primas (1968), pintura que integra a série em que Simões articula fotografias e álbuns familiares a signos da vida urbana, da transformação da paisagem, e das tensões políticas pós-1964. Ao cruzar intimidade e esfera pública, transforma a iconografia doméstica em campo crítico e convoca o cotidiano como zona de fricção política.

Foto: Isabella Matheus

Minhas primas, 1968

óleo sobre tela

145,5 x 114 cm

Produzida às vésperas do AI-5, a série ganha densidade documental pelo destino trágico do conjunto (majoritariamente desaparecido depois da censura ocorrida na 2ª Bienal da Bahia), tornando as peças remanescentes, como este exemplar, ainda mais especiais. Minhas Primas condensa, assim, a potência experimental de Thereza Simões, oferecendo um raro testemunho das reconfigurações sociais, urbanas e afetivas do Brasil no fim dos anos 1960.

–

Sobre o Programa de Patronos da Arte Contemporânea

Cobri Portella de Flores e Minhas primas foram aquisições dos Patronos da Arte Contemporânea da Pinacoteca de São Paulo, por intermédio da Associação Pinacoteca Arte e Cultura – APAC, 2025. O Programa de Patronos da Arte Contemporânea tem sido fundamental para que a Pinacoteca avance em seu propósito de se afirmar como um museu cada vez mais plural, inclusivo, intergeracional e conectado às diversas regiões do país.

Saiba mais sobre o programa na página.

Quem escreveu:

Comentários

0 Comentários

Postagens Relacionadas

Assine nossa Newsletter

e acompanhe nossa programação